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APR
'6 7', 'six seven': por que esses dois números viraram um pesadelo para professores de inglês
‘6 7’ ou ‘six seven’: os dois números que viraram pesadelo para professores de inglês Se os alunos tiverem de abrir o livro na página 67; se forem 6h07 da manhã; se alguém tirar 6,7 na prova; se os exercícios da apostila naquele dia forem justamente o 6 e o 7… a sala de aula provavelmente irá abaixo. ➡️Esses dois números, pronunciados em inglês (six-seven), viraram um pesadelo para os professores de inglês graças a um meme completamente sem sentido. Qualquer referência a esses algarismos provoca uma reação em cadeia: crianças e adolescentes começam a rir, a gritar e a balançar as mãos alternadamente, com as palmas voltadas para cima, como se estivessem representando uma gangorra. E lá se vão vários minutos até que a turma se acalme e volte a se concentrar na aula. “Parece que esses números nos perseguem. Eles aparecem em tudo. Quando a página é 67, prefiro anotar na lousa em vez de falar em voz alta”, conta uma professora de escola particular de São Paulo, que preferiu não se identificar. Eduardo Felipe, docente do ensino fundamental I de um colégio privado em Natal, diz que a brincadeira é sempre “muito acalorada”. “Vira uma catarse coletiva, com todos eles se olhando e fazendo aquele movimento com as mãos”, diz. “Outro dia, uma das questões sobre horários em inglês tinha ‘six o’clock’ [6 horas]. Um aluno chamou o outro e começou a falar “six seven”. Como sempre, isso se espalhou muito facilmente pela sala.” Mas por que “6-7”? 'Six seven' tomou salas de aula Reprodução Essa brincadeira é do tipo “brain rot” (“cérebro podre”, em inglês) — conteúdo superficial, viciante e sem sentido específico, como memes absurdos, vídeos curtos com sequências repetitivas e frases que inexplicadamente são “engraçadas”. O ponto principal é entender que… não há o que entender. A origem do “6-7”, por exemplo, é uma mistura de fatos aleatórios: uma música de drill (gênero do sul de Chicago) chamada “Doot Doot”, do rapper Skrilla, em que ele repete “six seven” no refrão de forma bem marcante e ritmada; a altura do jogador de basquete LaMelo Ball, da NBA, de exatamente 6 pés e 7 polegadas de altura (1,98 m); um menino americano que apareceu em um vídeo sobre basquete em que olha para a câmera, faz um gesto com as mãos e grita bem alto: “six-seven!”. Ele virou o rosto oficial do meme. Há quem tente usar a “brincadeira” a seu favor. “Se não conseguimos vencê-los, o melhor que fazemos é nos juntar a eles. Quando eu preciso que prestem atenção em mim, falo ‘six’ e espero que eles completem com ‘seven’. Uso isso para que a aula faça parte do universo deles”, afirma Ariadne Catanzaro, professora de inglês do Colégio Liceu Pasteur Start Anglo Trilingual School. 🙏De qualquer forma… ainda bem que 06/07 cai durante as férias escolares.
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APR
Estudo da UnB em fase inicial vê ômega-3 como possível aliado no combate ao câncer de ovário
Gabriel Pasquarelli, pesquisador do estudo sobre o Ômega-3 DHA no combate ao câncer de ovário SECOM UnB/Divulgação Resultados iniciais de um estudo da Universidade de Brasília (UnB) apontam para a capacidade do ômega-3 DHA de induzir a morte das células de câncer de ovário. A pesquisa foi desenvolvida no Laboratório de Imunologia e Inflamação do Departamento de Biologia Celular (Limi/CEL/IB), ligado ao Instituto de Biologia da UnB. Nos primeiros testes, os pesquisadores identificaram que o Ômega-3 DHA pode induzir a piroptose, uma espécie de morte inflamatória e programada da célula de câncer. ➡️ O diferencial, segundo os responsáveis pelo estudo, é que esse processo rompe a membrana celular e estimula o próprio sistema imunológico a atacar o tumor. Nos testes feitos em laboratório, a substância matou células cancerígenas e não causou grandes efeitos nas saudáveis. 🚨 IMPORTANTE: Os achados são iniciais, a partir de testes em laboratório, e a pesquisa ainda precisa passar por várias fases antes de uma conclusão "definitiva". Nos próximos passos, os testes devem ser feitos em animais – e só se derem certo, poderão ser feitos também em humanos. ➡️ Se os resultados forem confirmados, o ômega-3 DHA pode se tornar um aliado dos tratamentos atuais de referência, como a quimioterapia. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. Pacientes com câncer têm direito a isenção de impostos, saque do FGTS e mais "A gente busca não substituir nenhum tratamento atual, de quimioterapia do câncer de ovário, mas sim apresentar possibilidades de moléculas adjuvantes", explica a imunologista e coordenadora do laboratório, Kelly Grace. Dentre os cânceres que afetam órgãos reprodutores femininos, o de ovário é o segundo que mais causa mortes no mundo. A doença é inicialmente assintomática – o que dificulta o diagnóstico precoce – e tem uma taxa de recorrência alta após a realização de tratamentos. A descoberta A coordenadora do Limi, Kelly Grace, conta que a descoberta foi uma surpresa. O laboratório pesquisa como a alimentação pode impactar o desenvolvimento tumoral há dez anos – mas os resultados com ômega-3 DHA em relação ao câncer de ovário foram inesperados. Gabriel Pasquarelli e Kelly Grace, pesquisadores responsáveis pelo estudo do Ômega-3 DHA no combate ao câncer de ovário Secom UnB/Divulgação "A gente ficou bastante satisfeito com o resultado, mostrando que um suplemento de fácil acesso da população pode ter um efeito antitumoral importante", ressaltou ela. A pesquisa foi fruto do projeto de mestrado do imunologista Gabriel Pasquarelli, primeiro autor do artigo publicado sobre o estudo. Ômega-3 DHA Cápsulas de ômega-3, em imagem de arquivo Pexels/Reprodução O ômega-3 DHA pode ser obtido na alimentação através do consumo de peixes de águas frias, como salmão, sardinha e atum. Além disso, pode ser também encontrado em óleos e sementes oleaginosas, ou mesmo na suplementação. O estudo sugere o consumo do ômega-3 DHA tanto como forma preventiva de diversos tipos de câncer, quanto como uma forma de tratamento aliada aos protocolos convencionais. Atualmente, a pesquisa está na fase pré clinica, onde a molécula de Ômega-3 DHA é insererida em camundongos com as células cancerigenas. O próximo passo é o estudo em seres humanos – mas Kelly Grace ressalta que precisam do investimento adequado para conseguirem avançar nas etapas da pesquisa. "Agora, a gente depende de um financiamento para fazer esse estudo clínico que seria exatamente tentar verificar essa taxa de proteção em mulheres fazendo a quimioterapia com e sem o uso do Omega-3 DHA", explica. "A gente busca parceiros para que possam financiar essa etapa para que de fato a gente consiga fazer essa transposição da pesquisa para a parte clínica, onde a gente poderia testar mesmo a atividade dessa molécula durante o tratamento contra o câncer de ovário."
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APR
STF tem 3 votos pela inconstitucionalidade da lei de SC que proíbe cotas raciais em universidades
STF começa a julgar lei que proíbe cotas raciais em universidades de SC Os ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino e Alexandre de Moraes votaram para o Supremo Tribunal Federal (STF) declarar inconstitucional a lei aprovada em Santa Catarina que proíbe o ingresso via cotas raciais ou outras ações afirmativas no ensino superior em instituições que recebem verbas do Estado. O julgamento começou nesta sexta-feira (10). Até as 17h38, o placar no STF estava em 3x0 a favor da inconstitucionalidade da norma catarinense, que foi aprovada em dezembro na Assembleia Legislativa e sancionada em janeiro pelo governador Jorginho Mello (PL). ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp O texto catarinense estabelece a proibição da política de reserva de vagas para estudantes, professores e técnicos através de cotas de gênero ou outras ações afirmativas, como indígenas, pessoas trans, entre outras. As exceções são para pessoas com deficiência (PCDs), oriundas de escolas públicas e ingresso por critérios de renda. A discussão no plenário virtual do STF iniciou no fim da manhã desta sexta-feira (10). O voto de Mendes será apreciado pelos outros oito ministros da corte com prazo de até 17 de abril. Voto de Gilmar Mendes No voto, Mendes, que também é o relator da ação, sustentou que Lei Estadual 19.722/2026 desconsiderou que ações afirmativas baseadas em critérios étnico-raciais já foram reconhecidas como constitucionais pelo STF. Destacou ainda que as políticas de cotas encontram respaldo não apenas na jurisprudência da Corte, mas também em normas internacionais incorporadas ao ordenamento brasileiro com status equivalente ao de emenda constitucional. "[...] é possível concluir que a aprovação e a sua sanção pelo Governador do Estado de Santa Catarina basearam-se eminentemente na noção de que as ações afirmativas baseadas exclusivamente em critérios étnico-raciais representariam possível violação ao princípio da isonomia – premissa, como exposto acima, inconstitucional", narra o ministro no voto. O ministro cita que a lei catarinense começa proibindo a adoção de qualquer política de reserva de vagas em processos seletivos. Em seguida, porém, a própria norma prevê três exceções: a reserva de vagas para pessoas com deficiência, a adoção de critérios exclusivamente econômicos e a destinação de vagas a estudantes oriundos da rede pública estadual de ensino médio. Na avaliação do ministro, essa combinação revela o objetivo prático da lei: impedir, na prática, apenas as políticas baseadas em critérios étnico-raciais. "[...] esta Suprema Corte há muito assentou que a utilização chamadas cotas raciais para ingresso no ensino superior público não viola o princípio da isonomia (Constituição, art. 5º, caput). Pelo contrário, políticas dessa natureza, quando bem utilizadas, efetivamente concretizam o princípio da igualdade, concebido como igual respeito às diferenças e mandado de combate às desigualdades materiais", continuou. Voto de Flávio Dino O ministro Flávio Dino também considerou inconstitucional a norma catarinense. Ele argumentou que "A lei foi aprovada em tramitação célere, sem audiências públicas, sem oitiva das universidades afetadas e sem qualquer análise concreta dos resultados da política pública que se pretendia extinguir". Ele também escreveu que o argumento da norma de Santa Catarina, de que as cotas raciais violariam o princípio da isonomia, contraria o entendimento consolidado sobre o assunto no STF. O ministro também lembrou que o Brasil assumiu um compromisso, através do decreto número 19.932/2022, para adotar políticas de promoção da igualdade de oportunidades para pessoas ou grupos sujeitos ao racismo, à discriminação racial e formas correlatas de intolerância. "O legislador catarinense não apenas deixou de avaliar os resultados da política pública, como, conforme bem delineado pelo Relator, editou a norma impugnada com fundamento em premissa expressamente reconhecida como inconstitucional por esta Corte", escreveu Flávio Dino no voto. Lei estava suspensa no estado e aguardava julgamento no STF A lei catarinense está em discussão em uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no STF. Entraram com o processo o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), em parceria com a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes (Educafro). Nessa mesma ação, o ministro Gilmar Mendes já havia pedido para o governo de Santa Catarina, a Assembleia Legislativa catarinense, que propôs a lei, e a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), diretamente afetada pela norma, dessem explicações. Na prática, a norma estadual está suspensa, já que há outra ação no mesmo estilo que tramita no Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC). Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) Vinícius Graton/Secom Udesc Lei estadual proíbe cotas raciais e prevê multa por descumprimento A lei 19722/2026 proíbe a adoção de cotas e outras ações afirmativas no ingresso em universidades públicas estaduais ou entidades de ensino superior comunitárias e privadas que recebam verbas públicas do governo de Santa Catarina. A regra vale para o ingresso de estudantes ou contratação de professores, técnicos e qualquer outro profissional em instituições de ensino superior públicas ou que recebam verbas públicas. Com isso, o fim das cotas raciais atingiria estudantes e profissionais: da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), que oferece atualmente 59 cursos presenciais de graduação, distribuídos em 13 centros de ensino; instituições do sistema de Associação Catarinense das Fundações Educacionais (Acafe), que reúne 14 instituições comunitárias e mais de 100 mil alunos; faculdades privadas que recebem bolsas do programa Universidade Gratuita e do Fundo de Apoio à Educação Superior (Fumdesc). A lei diz que ficam excluídas da proibição a reserva de vagas para: Pessoas com Deficiência (PCD); Estudantes vindos de instituições estaduais públicas de ensino médio; Aquelas baseadas em critérios exclusivamente econômicos. Em caso de descumprimento, a lei prevê as seguintes penalidades: anulação do edital; multa de R$ 100 mil por edital em desacordo com a lei; corte dos repasses de verbas públicas; agentes públicos responsáveis por fazer e publicar o edital serão submetidos a Procedimento Administrativo Disciplinar. VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias