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FEB
MEC revoga edital que permitia criação de novos cursos de Medicina
Cerca de 30% dos cursos de Medicina vão ser punidos após avaliação ruim no Enamed O edital de 2023 que permitia a criação de novos cursos de Medicina foi revogado pelo governo federal. A decisão foi publicada pelo Ministério da Educação em edição extra do Diário Oficial da União na terça-feira (10). O documento que permitia a ampliação da oferta do curso por universidades privadas já havia sido adiado quatro vezes desde a publicação. A previsão era de que até 5.900 novas vagas fossem criadas. O edital fazia parte da retomada do Programa Mais Médicos, que havia sido congelado em 2018, na gestão de Michel Temer. As instituições participantes seguiriam a definição do governo sobre os locais e condições da abertura dos novos cursos. A decisão de não permitir a criação de novas graduações vem após a divulgação dos resultados da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). Em janeiro, o Ministério da Educação (MEC) tornou pública a lista de cursos avaliados e as notas obtidas. Mais de 100 cursos de Medicina do país foram mal avaliados no cursos tiveram notas 1 e 2, consideradas insatisfatórias pelo Inep, e vão ser punidos com restrição no Fies e suspensão de vagas. O cancelamento do edital foi criticado por Diogo Sampaio, coordenador da Comissão Especial para o Exame de Proficiência do Conselho Federal de Medicina. Em nota assinada pelo conselheiro, o CFM afirmou que a decisão evidencia a "expansão desordenada de vagas sem a garantia das condições mínimas de ensino, prática e infraestrutura assistencial", que a autarquia define como um problema estrutural antigo que compromete a formação médica no país. A abertura de cursos em municípios sem campo de estágio adequado impacta diretamente a qualidade da formação dos estudantes e se reflete em resultados insatisfatórios nas avaliações nacionais de desempenho. Em muitos casos, não são observados os próprios critérios técnicos estabelecidos pelo Ministério da Educação, como a proporção mínima entre número de leitos disponíveis e vagas ofertadas nos cursos de Medicina. Há localidades com três ou quatro faculdades concentradas em um mesmo território, por exemplo, sem estrutura hospitalar compatível, o que inviabiliza a formação adequada e segura dos futuros médicos. O CFM defende ainda a necessidade de estruturados de avaliação e de fortalecimento da qualidade dos cursos ao longo da formação, bem como de instrumentos de aferição da proficiência dos egressos — como na proposta de criação do Exame de Proficiência Médica (Profimed). (Veja a íntegra da nota no fim da reportagem.) Faculdade, curso de medicina, estudante Điều Dưỡng Đa Khoa/Pexels O que diz o MEC Em nota, o MEC justificou que uma série de mudanças no cenário recente da oferta de cursos de Medicina fez com que o edital deixasse de atender aos objetivos da iniciativa. Algumas das mudanças citadas são: recente expansão de cursos e vagas de medicina, provocados pela judicialização dos pedidos de autorização de cursos de medicina; expansão da oferta de cursos dos sistemas estaduais e distrital de ensino; e conclusão de processos administrativos relativos a aumento de vagas em cursos já existentes. Além disso, a pasta de diz que o surgimento posterior ao edital do Enamed, das novas diretrizes para cursos de Medicina e do debate sobre a criação de um exame no estilo da OAB para a área também contribuíram para o novo cenário. "Embora esses elementos tenham surgido após a elaboração do edital de seleção, e não reflitam diretamente sobre os procedimentos de autorização de novos cursos, eles revelam alteração significativa do contexto fático, social e regulatório no qual se insere a política de formação médica no País, reforçando a importância da centralidade da qualidade da oferta e da adequação da formação às necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS)." A nota diz ainda que a revogação do edital não compromete outros aspectos do Programa Mais Médicos, incluindo a autorização de cursos em andamento, a continuidade da análise e decisão dos processos administrativos e judiciais já em tramitação. "Nesse contexto, a revogação do Edital nº 1/2023 não representa a interrupção da política pública de expansão da formação médica, mas, ao contrário, constitui medida necessária para preservar sua coerência, efetividade e sustentabilidade, possibilitando que novos editais venham a ser oportunamente estudados e formulados, de maneira participativa, com ajustes que reflitam uma reavaliação técnica que assegure alinhamento ao marco legal vigente", diz a pasta. Íntegra da nota do CFM O cancelamento do edital para abertura de novos cursos de Medicina evidencia um problema estrutural que há anos compromete a formação médica no Brasil: a expansão desordenada de vagas sem a garantia das condições mínimas de ensino, prática e infraestrutura assistencial. A abertura de cursos em municípios sem campo de estágio adequado impacta diretamente a qualidade da formação dos estudantes e se reflete em resultados insatisfatórios nas avaliações nacionais de desempenho. Em muitos casos, não são observados os próprios critérios técnicos estabelecidos pelo Ministério da Educação, como a proporção mínima entre número de leitos disponíveis e vagas ofertadas nos cursos de Medicina. Há localidades com três ou quatro faculdades concentradas em um mesmo território, por exemplo, sem estrutura hospitalar compatível, o que inviabiliza a formação adequada e segura dos futuros médicos. A política de abertura de cursos não pode ser orientada por interesses políticos ou financeiros. A formação médica deve ser tratada como política de Estado, voltada à qualificação de profissionais capazes de atender com segurança e qualidade às necessidades da população. A expansão irresponsável de vagas compromete não apenas a qualidade do ensino, mas também a segurança do paciente e a credibilidade do sistema de saúde. Os resultados do Enamed indicam fragilidades relevantes na formação de parcela significativa dos estudantes, revelando que uma proporção expressiva dos concluintes não apresenta desempenho compatível com o exercício profissional esperado ao final da graduação. Esse cenário reforça a necessidade de mecanismos estruturados de avaliação e de fortalecimento da qualidade dos cursos ao longo da formação, bem como de instrumentos de aferição da proficiência dos egressos. Nesse contexto, a aprovação do projeto de lei que institui o Exame de Proficiência Médica (Profimed) na Comissão de Assuntos Sociais do Senado representa um passo relevante para o aprimoramento da formação médica no país. A iniciativa contribui para a consolidação de um modelo de avaliação que complemente os mecanismos de monitoramento da qualidade dos cursos, assegurando que o egresso da graduação possua as competências mínimas necessárias para o exercício seguro da Medicina, em benefício direto da sociedade e da proteção do paciente. Pesquisas de opinião, como a realizada pelo Datafolha a pedido do CFM, indicam amplo apoio da população à implementação de instrumentos de avaliação da formação e da proficiência profissional, o que reforça a legitimidade social do debate e a urgência de medidas estruturais para reordenar a expansão do ensino médico no país.
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FEB
Curso de Medicina da Ufes em Alegre, no Sul do ES, pode ser autorizado ainda em fevereiro
Curso de Medicina na Ufes de Alegre pode ser autorizado ainda em fevereiro O curso de Medicina no campus de Alegre da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), no Sul do estado, pode ser autorizado ainda em fevereiro. O anúncio foi feito durante visita do ministro da Educação, Camilo Santana, nesta terça-feira (10). “Vamos autorizar em Alegre, região sul, (o curso de Medicina). A nossa intenção é ampliar os cursos de Medicina nas nossas universidades federais. Ampliar também o número de vagas nos campi que já existem”, afirmou o ministro. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp De acordo com o reitor da Ufes, Eustáquio de Castro, a Comissão de Acompanhamento e Monitoramento das Escolas Médicas (Camem) já verificou a viabilidade de implementação do curso no campus de Alegre. "Se a comissão der um sinal positivo, o presidente Lula assina a implementação do curso", explicou o reitor. Assim como no campus de São Mateus, no Norte do estado, estão previstas 60 vagas anuais para o curso de Medicina em Alegre, com ingresso de estudantes a partir do primeiro semestre de 2027. Campus da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em Alegre Reprodução/ TV Gazeta Curso em São Mateus começa no segundo semestre Durante a visita ao estado, a Ufes também confirmou que o início das aulas do curso de Medicina no campus de São Mateus será no segundo semestre deste ano. A previsão inicial era de que as atividades começassem no início de 2026, mas o cronograma foi ajustado. Os estudantes que vão iniciar o curso já fizeram a seleção através do Sisu. LEIA TAMBÉM: EM ESCOLA PÚBLICA: Professora costura redes e cria espaço de leitura para alunos do ES OLÍMPIADA DE ROBÓTICA: Robôs rapper e bailarina levam estudantes de escola pública do ES para competição ÓCULOS: Criados por alunos de escola pública do ES, equipamentos detectam sono e podem evitar acidentes Carteira Nacional Docente do Brasil foi entregue pelo Ministro Camilo Santana a professores do Espírito Santo, em visita ao estado em 10 de fevereiro Angelo Miguel/MEC Carteira Nacional Docente para 1,3 mil professores A visita de Camilo Santana teve como objetivo principal entregar a 1.361 professores capixabas, do ensino básico ao superior, a Carteira Nacional Docente do Brasil. A medida faz parte do programa Mais Professores para o Brasil e garante acesso a benefícios exclusivos, como descontos em eventos culturais, cartões de crédito com condições diferenciadas e descontos em serviços. Além disso, outros 99 professores receberam vales-computadores, iniciativa do mesmo programa que visa premiar os profissionais da rede pública de ensino com um crédito de R$ 3 mil destinado à compra de computadores, notebooks ou tablets. Ao todo, 100 mil professores das escolas com maior nota no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) serão selecionados para receber o vale. No Espírito Santo, 1.990 são elegíveis. Para o ministro, as ações são importantes para valorizar “a profissão mais importante que existe, que é a de professor”. “Temos que criar uma cultura nesse país para que a profissão de professo seja uma das profissões mais importantes da nação. Então, bons professores são fundamentais para garantir a qualidade.” Obras na Ufes Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam) em Vitória, Espírito Santo. Divulgação/Ufes Camilo Santana também conheceu as obras de ampliação do Pronto Socorro e da UTI do Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes (Hucam-Ufes), que recebeu R$ 34,9 milhões de investimentos via Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e recursos próprios. Segundo a Ufes disse ao g1, em nota, a capacidade dos leitos de UTI Adulto passarão de 16 para 30; de UTI Coronariana, de 4 para 10; e serão implementados 10 leitos de UTI Pediátrica. A previsão de conclusão é março de 2028. Até o momento, foram executados 5% do cronograma físico-financeiro. Por fim, também no hospital universitário, foi inaugurado um equipamento de raio-X telecomandado e emitida ordem de serviço para reforma do espaço que abrigará o banco de leite humano da unidade. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo
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FEB
Adolescente de 12 anos é aprovado em curso de matemática da Uerj: 'consegui passar com uns pontinhos sobrando'
Bernardo Manfredini, de 12 anos, foi aprovado no curso de matemática, na UERJ Letícia Lôpo/Divulgação Aos 12 anos e cursando o 8º ano do ensino fundamental, Bernardo Vinício Manfredini, morador de São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos, alcançou um feito notável: a aprovação no curso de matemática da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). O adolescente prestou vestibular como "treineiro", motivado pela curiosidade em entender o processo seletivo e testar seus conhecimentos. Bernardo explica que queria saber como funcionava o processo e que sua mãe, Luzia Manfredini, deu apoio para que ele tivesse essa vivência na prática. O resultado da aprovação foi recebido com surpresa. "As licenciaturas, no geral, são os cursos menos concorridos das universidades. Mas por informações que encontramos na internet, esperávamos um corte bem mais baixo. O corte desse ano veio com uma média de 20 pontos mais alto do que esperávamos. Consegui passar com uns pontinhos sobrando", revela o estudante. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Nos dias de prova, o estudante conta que atraiu olhares, por conta de sua idade. "Alguns que me olharam curiosos, mas eles estavam mais preocupados com suas provas. Eu sou alto para a minha idade, então não chamei muito a atenção. Teve uma pessoa que me perguntou se eu estava de treineiro e quis saber como era participar. Mas foi uma conversa curta", explica. A escolha por matemática foi natural, já que essa é sua matéria favorita e a área em que estuda conteúdos avançados para olimpíadas do conhecimento. Bernardo, inclusive, acumula um histórico invejável nessas disputas: já participou de mais de 100 provas de alto nível e conquistou cerca de 80 medalhas. "Não é em toda competição que ganho medalha, não. Dessas 80 medalhas, a maioria é de matemática, mas tem de outras áreas também, como a nacional de ciências, de química jr, de nanotecnologia, de astronomia e física. Tenho algumas medalhas internacionais em olimpíadas americana e asiáticas. As mais importantes são as da OBM, OMERJ e OBMEP", pontua o jovem. Bernardo Manfredini, estudante de 12 anos aprovado na UERJ, fala de suas medalhas conquistadas em olimpíadas do conhecimento Aprovação e fama A aprovação no vestibular tem rendido fama e elogios ao jovem. "Acharam legal eu passar no vestibular e virar notícia. Fiquei muito feliz. Muito mesmo", comenta Bernardo, que divide a rotina de estudos com atividades típicas de adolescentes. Bernardo no local da prova para fazer o vestibular Acervo pessoal/ Luzia Manfredini "Gosto de uns assuntos que são vistos como não muito comuns, mas também gosto de coisas que meus amigos gostam, como jogar videogame, ver TV, andar de bicicleta, ir à praia, ao shopping, sair para lanchar, jogar tênis de mesa. Tem gente que acha que só estudo, mas tenho bastante tempo livre pra bagunçar". A professora Luzia Manfredini, mãe de Bernardo, conta que não teve medo de Bernardo se frustrar com o resultado das provas, realizadas em duas etapas: exames de qualificação, com 60 questões de múltipla escolha, e o exame discursivo, que inclui redação e provas específicas (no caso de Bernardo, as específicas foram de física e matemática). "Expliquei que ele poderia até entregar a prova em branco e que estaria tudo certo, que ele estava ganhando experiência de vida. Mas pelo tempo que ele ficou, que foram mais de duas horas, vi que estava tentando fazer a prova mesmo. Na segunda etapa, ele estava feliz por ter conseguido desenvolver a prova, em especial a redação, que era o medo de zerar", conta Luzia. Bernardo Manfredini com sua mãe, Luzia, e seu irmão em olimpíada do conhecimento Acervo pessoal/ Luzia Manfredini Altas habilidades e rotina de estudos Quando Bernardo tinha 4 anos de idade, a família descobriu que ele tinha altas habilidades. "Foi um divisor de águas nas nossas vidas, pois passamos a entender que ele e o irmão têm uma maneira de entender o mundo que é um pouco fora da curva, que aprendem algumas coisas com mais rapidez", conta a mãe. Luzia ainda ressalta que tem receio de a rotina de estudos do filho ficar sobrecarregada. "Ele tem uma curiosidade enorme pelo mundo, não só por matemática, e tende a procurar conteúdos. Ele quer participar de muita coisa e ainda precisa entender que não pode tentar dar conta do mundo. A mim, cabe podar algumas coisas, tentar achar espaço para atividade física, lazer que não seja só em eletrônicos." Em um futuro "não tão distante", Bernardo sonha fazer engenharia da computação. "Quero passar no ITA ou IME e me formar. Aos jovens, digo que sigam seus sonhos e nunca deixem de estudar, porque educação te leva para frente. Às vezes, a gente acha algo que parece difícil demais, mas não dá para desistir, e, sim, tentar outras maneiras de entender e aprender", diz o jovem. Nem mesmo o avanço da tecnologia e da inteligência artificial é capaz de tirar o otimismo de Bernardo ao pensar em investir na profissão escolhida. "A inteligência artificial vai ajudar e atrapalhar, dependendo de como evoluir e como for usada. Pode facilitar em cálculos e programas complexos, mas ainda apresenta erro em muitos pontos. Como nas outras áreas, ela vai poder impulsionar ou atrapalhar carreiras", justifica o estudante.