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06
FEB
Inep diz que certificado do ensino médio via Enem depende de status declarado por aluno na inscrição
Enem como diploma escolar: alunos não conseguem documento e temem perder vaga na faculdade Os relatos de problemas na emissão do "diploma escolar" para estudantes que usaram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025 continuam, mesmo após o Ministério da Educação (MEC) divulgar os critérios necessários para a obtenção do documento. Agora, participantes indicam contradição da pasta ao não certificar a conclusão de alunos cumprem com os critérios, mas indicaram na inscrição que estavam no último ano do ensino médio. É o caso de Lucas Ismério, de 18 anos, que indicou na inscrição estar concluindo o ensino médio, mesmo que estivesse no 2º ano. De acordo com Lílian, mãe de Lucas, a compreensão foi de que, caso indicasse que não estava no último ano, ele não receberia as notas a tempo de pleitear o certificado de conclusão para participar dos processos seletivos do primeiro semestre. Lucas abriu um chamado junto ao MEC e, nesta sexta-feira (6), foi informado que "participantes que declararam, no ato da inscrição, como concluintes do ensino médio, mesmo quando atendam aos critérios da certificação." Em contato com a reportagem, o Inep, responsável por emitir os certificados, afirmou que opção selecionada pelo participante anulou sua oportunidade de obter o certificado via Enem. Segundo a autarquia, a opção de certificação é válida apenas para quem não estava ativamente vinculado ao último ano em uma instituição de ensino, já que quem estivesse obteria o certificado ao final do ano letivo diretamente na escola em que estudava. 📋 Pré-requisitos para obter o certificado De acordo com as orientações publicadas nas redes sociais pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep) e pelo Ministério da Educação (MEC), todos aqueles que cumpriram os pré-requisitos abaixo já poderiam baixar a declaração de conclusão do ensino médio: tiver mais de 18 anos; obter mais de 450 pontos em cada área do conhecimento e mais de 500 na redação no Enem 2025. O certificado já está disponível para estes participantes desde 30 de janeiro, segundo os órgãos. Os demais participantes que concluíram a etapa em 2025 ou antes não têm direito ao documento pelo site e devem procurar a escola onde estudaram. 📱Veja o passo a passo: Para saber se a declaração está disponível no seu caso, siga as orientações abaixo: Entre na Página do Participante. Clique em "Resultados", na coluna da esquerda. Em seguida, marque a opção "Declaração". Ela é uma versão provisória do certificado de conclusão do ensino médio, que, segundo o Inep, será aceita pelas universidades no momento da matrícula. O documento completo só poderá ser emitido em março. Opção de emitir declaração passou a aparecer apenas por volta das 13h Reprodução Solução já era 'improviso' Essa declaração que deveria estar disponível a todos já seria uma solução emergencial para outro problema revelado pelo g1: mesmo com a proximidade das matrículas no ensino superior (início de fevereiro), os estudantes que precisavam do certificado de conclusão do ensino médio para entrar na faculdade não haviam recebido nenhuma informação do Inep. O órgão só se manifestou após ser questionado pela reportagem. Veja a linha do tempo: 26/01: Presidente do Inep, Manuel Palacios, diz ao g1 que um aplicativo será lançado para a emissão on-line dos documentos. Como isso só ocorreria em março, universidades seriam avisadas da necessidade de aceitarem a matrícula mesmo sem esse certificado. 27/01: Inep volta atrás e diz que houve uma confusão, porque, na verdade, não haveria um app, e sim uma plataforma. Essa página seria lançada em março, mas ninguém seria prejudicado: em 30 de janeiro, os candidatos aptos conseguiriam emitir uma declaração provisória na Página do Participante, para apresentarem no ato da matrícula na universidade. 30/01: Inep e MEC afirmam que documentos provisórios estão disponíveis. Pela manhã, alunos não conseguem acessá-los. Acesso é normalizado apenas para uma parte dos estudantes. 02/02: Início das matrículas no Sisu (e em outras universidades públicas e privadas) 03/02: Uma parcela de candidatos continua sem acesso ao documento. Por decisão do Ministério da Educação (MEC) comunicada em maio do ano passado, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) voltou, após 9 anos, a ser aceito como certificado de conclusão da educação básica. Enem 2025: 1º dia de prova foi no domingo (9). Angelo Miguel/MEC
06
FEB
Redação do Enem 2025: veja o que mudou em cada competência avaliada e entenda como notas foram afetadas
Documentos mostram mudança de critérios na correção da redação do Enem 2025 Após a revelação feita pelo g1 de que as redações do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025 foram corrigidas a partir de "regras" diferentes das edições anteriores, surgiu a seguinte dúvida: o que, na prática, mudou em cada uma das 5 competências avaliadas? Veja abaixo. Embora o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) negue oficialmente qualquer alteração nos parâmetros de avaliação [leia mais ao final da reportagem], documentos enviados aos corretores mostram que houve três diferenças principais em 2025, em relação aos anos anteriores: Regra mais aberta e menos detalhada na competência 4, sobre o uso de elementos coesivos, como “dessa forma” e “consequentemente” Punição maior na competência 5, no caso de candidatos que escrevessem a proposta de intervenção sem o elemento “ação” Ampliação do peso dado ao repertório sociocultural (com penalidade em duas competências) Segundo professores e corretores ouvidos pelo reportagem, essas orientações tornaram a correção mais rígida em alguns pontos e mais subjetiva em outros — o que pode explicar por que candidatos que sempre alcançaram notas acima de 900 ficaram no patamar dos 700 pontos. Guilherme*, de 23 anos, por exemplo, nunca havia obtido uma nota abaixo de 900. Na redação do Enem 2025, alcançou apenas 740 pontos. “Não uso modelo pronto de texto. Não desaprendi a escrever no dia da prova nem estava nervoso. O Enem virou uma grande bagunça”, afirma. ➡️ Veja, abaixo, o que mudou (são 200 pontos atribuídos a cada competência, somando o total de 1.000): Competência 1: domínio da norma culta Nesta área, que avalia o uso da gramática e da estrutura sintática, não houve mudanças formais. Em 2024, o candidato podia obter a nota máxima mesmo com até dois desvios gramaticais, desde que a estrutura do texto fosse considerada excelente. Em 2025, os critérios descritos na grade permaneceram os mesmos. Competência 2: compreensão da proposta e aplicação de conceitos Em 2024, exigia-se que a redação apresentasse claramente as três partes do texto dissertativo-argumentativo — introdução, desenvolvimento e conclusão —, além de abordar o tema de forma completa, com repertório sociocultural pertinente. A grade de correção, que estabelece os critérios detalhados que devem ser seguidos pela banca, não havia trazido nenhuma mudança em 2025 neste aspecto: os candidatos deveriam fazer referências a autores, a livros ou a filmes, por exemplo, para embasar seus argumentos. Citações genéricas, sem a devida contextualização (“repertórios de bolso”), não deveriam ser consideradas válidas. Esse combate aos “modelos prontos” de redação foi comunicado explicitamente no Manual do Candidato, em setembro de 2025, dois meses antes do Enem. A exigência da competência 2, portanto, continuou a mesma — mas erros nessa parte passaram a interferir também na nota da competência 3 (veja abaixo). Competência 3: seleção e organização das informações ➡️Um documento extra, enviado por e-mail aos corretores depois dos treinamentos presenciais, passou a estabelecer que a competência 2 deveria dialogar com a 3. Ou seja, repertórios socioculturais avaliados de maneira negativa pela banca passaram a ser punidos em duas competências, não mais em uma. Segundo os professores ouvidos pela reportagem, esta foi a principal explicação para a queda inesperada nas notas de tantos alunos. Trecho de documento confidencial que estabelece ligação entre duas competências Arquivo pessoal Competência 4: mecanismos linguísticos Em 2024, a nota máxima nesta competência seguia critérios matemáticos claros: o candidato precisava usar operadores argumentativos entre parágrafos em pelo menos dois momentos e apresentar ao menos um elemento coesivo dentro de cada parágrafo. Em 2025, essa contagem foi retirada do quadro-resumo. No lugar dos parâmetros numéricos, passaram a ser usadas classificações mais subjetivas, como presença “regular”, “constante” ou “expressiva” de elementos coesivos. Para professores, a mudança eliminou o referencial exato que os corretores utilizavam. 2024: Competência 2 - critérios do Enem 2024 Arquivo pessoal 2025: Competência 4 - regra do Enem 2025 Arquivo pessoal Competência 5: proposta de intervenção Cabe ao aluno, na redação do Enem, sempre elaborar uma alternativa que soluciona o problema apresentado no texto. Pode ser uma política pública organizada por um ministério ou uma campanha de conscientização promovida pela imprensa, por exemplo. É obrigatório ter 5 itens: ação (o que deverá ser feito?); agente (por quem?); finalidade (com que objetivo?); meio (de que forma?) e detalhamento da ideia. Assim como nos anos anteriores, deixar 1 dos 5 elementos de fora levaria à perda de 40 pontos. Mas uma nota de rodapé em 2025 acrescentou uma nova orientação: o aluno que esquecesse especificamente o item “ação” teria uma punição maior, de 120 pontos. “Tem aluno que esquece e que coloca a ‘ação’ de forma que parece finalidade. Isso causou a perda de mais pontos do que ele pensava. Ainda vem o Inep e diz que não houve modificação?”, questiona um corretor *. Exemplo de redação do Enem 2025 que recebeu punição maior por não trazer o elemento 'ação' Arquivo pessoal Inep reforça que não houve alterações “Não houve nenhuma mudança no critério de correção. São os mesmos corretores e a mesma instituição aplicadora [Cebraspe]. A equipe de capacitação é daqui do Inep e usou os mesmos critérios”, disse ao g1, no fim de janeiro, Manuel Palacios, presidente do Inep. Em nota, o órgão do Ministério da Educação (MEC) afirmou ainda que as provas são corrigidas por ao menos dois avaliadores, com previsão de terceira correção em caso de divergência, “garantindo equilíbrio, justiça e tratamento isonômico a todos os participantes”. Por que uma alteração não comunicada é problemática? De forma inédita, o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) passou a aceitar as notas das últimas três edições do Enem (2023, 2024 e 2025) ao classificar alunos para universidades públicas em 2026. Ou seja: aqueles que “estrearam” no exame e só puderam concorrer com a nota de 2025 sentiram-se injustiçados ao disputar vagas com veteranos, supostamente avaliados com menos rigidez. “É como comparar banana com maçã. A correção de 2025 foi mais rigorosa e subjetiva que nos anos anteriores”, afirma Sérgio Paganim, coordenador de redação do Curso Anglo. Luana*, de 24 anos, partiu de 920 (2023) e de 940 (2024) para… 720 (2025). “Isso não representa uma evolução negativa, e sim uma instabilidade no processo avaliativo”, diz. Gabriel Gaspar, por exemplo, foi aprovado em medicina na Universidade de São Paulo (USP), pelo vestibular próprio da instituição (Fuvest). “Desisti do Sisu depois que vi minha nota na redação do Enem cair de mais de 900 para 700 e pouco. Não sabia de nenhuma dessas mudanças. Se eu dependesse só dessa prova, teria perdido mais um ano inteiro de preparo”, afirma. R$ 3 por texto corrigido As mudanças tardias e não comunicadas previamente somam-se aos relatos sobre as condições de trabalho dos corretores: eles ganham, em geral, cerca de R$ 3 por cada dissertação corrigida. Chegam a ler 200 textos em um mesmo dia, com instabilidades no sistema e dificuldades de comunicação com seus supervisores. “Nos intervalos dos treinamentos presenciais, a gente falava: ‘ah, vai mudar isso’. A outra pessoa, de outra sala, respondia: ‘ué, minha supervisora não falou isso’. Foram muitos ruídos de comunicação no processo de formação”, diz a corretora Geralda*. Essa precarização colabora para afastar a mão de obra qualificada. O g1 entrou em contato com o Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe), que substituiu a Fundação Getúlio Vargas (FGV) e tornou-se o responsável pela correção das redações desde 2023. Em resposta, o órgão afirmou que apenas o Inep pode responder sobre o Enem. O Inep, por sua vez, não respondeu às questões relacionadas à remuneração e à sobrecarga de trabalho dos profissionais. * Os nomes dos entrevistados foram mantidos em sigilo a pedido deles. Corretores de redação do Enem assinam um termo de sigilo sobre o trabalho que executam. ENEM 2025 - DOMINGO (16) – RIBEIRÃO PRETO (SP) – Caderno de prova laranja no 2º dia de prova Érico Andrade/g1
06
FEB
Leitura tem queda dramática – e preocupante – pelo mundo
Fala de Edilson sobre Boneco no BBB expõe ignorância sobre dislexia; entenda transtorno Uma queda vertiginosa no número de leitores está atingindo diversas partes do planeta – e a tendência é preocupante. De acordo com um estudo da Universidade da Flórida e do University College London, da Inglaterra, a quantidade de pessoas nos Estados Unidos que mantêm o hábito da leitura por prazer caiu mais de 40% nos últimos 20 anos. A cada ano, essa parcela recua cerca de 3%, algo "significativo e muito preocupante", afirma Jill Sonke, diretora do Centro de Artes em Medicina da Universidade da Flórida. O levantamento também mostra a desigualdade no acesso à leitura dos americanos: a retração no hábito é maior para afro-americanos, pessoas com menor renda ou escolaridade e moradores de áreas rurais. "Mas, embora as pessoas com maior nível de escolaridade e as mulheres continuem lendo com mais frequência, observamos mudanças mesmo dentro desses grupos", alertou Jessica Bone, pesquisadora sênior de estatística e epidemiologia da University College London. Leitura tem queda dramática – e preocupante – pelo mundo. Freepik No Brasil, a situação também é drástica. Pela primeira vez, a parcela dos que não leem livros é maior que a daqueles que recorrem à literatura nos momentos de lazer. A conclusão é da pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil", do Instituto Pró-Livro. A mais recente edição do levantamento mostrou que, em 2024, 53% dos entrevistados se consideraram "não-leitores", contra 47% dos leitores. Em 2019, eram 52% leitores e 48% não-leitores. Na comparação entre os sexos, mulheres leem mais: estima-se que elas sejam 50 milhões, contra 43 milhões de leitores homens no Brasil. O único segmento da população brasileira que não teve queda no número de leitores foi nas faixas etárias de 11 a 13 anos e de mais de 70 anos. Qual o nível de leitura dos europeus? Na Europa, a situação também não é muito diferente, de acordo com uma pesquisa de 2024 do Eurostat, órgão de estatística da União Europeia (UE). Segundo o estudo, quase metade dos cidadãos do bloco não conseguiu ler nem um livro por ano. A distribuição do hábito pelos países europeus também é desigual: Irlanda, Finlândia, Suécia, França, Dinamarca e Luxemburgo têm o maior nível de leitura. Itália, Chipre e Romênia vêm por último. Na Europa e nos EUA, também há diferenças significativas em relação à idade e ao sexo: os jovens entre 16 e 29 anos leem com mais frequência do que os maiores de 65 anos, e as mulheres leem significativamente mais livros do que os homens. As diferenças entre livros físicos e ebooks Livros digitais costumam ser práticos, leves e personalizáveis. Mas a grande maioria dos leitores continua preferindo as edições em papel. No continente europeu, o percentual de pessoas que compram livros físicos foi mais que o dobro de quem fez downloads de ebooks ou audiolivros, mostrou o levantamento da Eurostat. Estudos científicos comprovam que os livros impressos oferecem vantagens importantes em relação aos formatos digitais em muitos pontos. Em 2022, pesquisadores da Universidade de Valência analisaram dados de mais de 450 mil participantes. A conclusão deles: quem ficou com os livros físicos demonstrou uma compreensão melhor do texto e um processamento mais profundo do conteúdo por causa do tato, o que não ocorre com e-books. Esse efeito foi maior principalmente em crianças em idade escolar. Quais os benefícios da leitura para a saúde? A ciência sugere que manter um hábito de leitura pode impactar positivamente na saúde. Ler um livro regularmente pode gerar níveis mais baixos de estresse, melhorar a memória, proteger contra declínio cognitivo e demência e proporcionar até mesmo uma vida mais longa. Uma pesquisa da Escola de Saúde Pública de Yale descobriu, por exemplo, que quem tem o hábito de leitura vive, em média, 23 meses a mais que quem não lê nada – independentemente de fatores como educação, renda, saúde básica e capacidade cognitiva. A explicação para isso pode estar na conexão social proporcionada na leitura de um romance, por exemplo. Cenas vividas por um personagem, segundo especialistas, funcionariam como uma espécie de treinamento, uma projeção das relações que o leitor consegue praticar, mesmo que não tenha uma vida social ativa: a solidão é um fator de risco grave para a mortalidade precoce, comparada ao tabagismo ou à obesidade.