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12
MAR
A armadilha da carga cognitiva: por que estudar mais tempo nem sempre te ajuda a aprender mais
GETTY IMAGES via BBC Você tenta estudar, mas é difícil. Você lê o texto várias vezes, mas não retém nada. A solução não é necessariamente passar cada vez mais horas examinando suas anotações, segundo a especialista em educação Noelia Valle, professora de fisiologia da Universidade Francisco de Vitoria, na Espanha. Ela é a criadora do site de divulgação científica La Pizarra de Noe ("A lousa de Noe", em tradução livre). "Imagine tentar encher uma garrafa d'água com uma mangueira de incêndio com potência máxima", compara ela, em um artigo no site de notícias acadêmicas The Conversation. "A maior parte da água seria derramada e a garrafa continuaria meio vazia." A educadora explicou à BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC) por que o enfoque quantitativo costuma ser ineficaz. "O cérebro humano não aprende por acumulação, mas por integração", segundo ela. O motivo tem a ver com dois conceitos fundamentais: memória de trabalho e carga cognitiva. E, quando o assunto é aprendizado, menos é mais, afirma a especialista. Valle compartilhou conselhos práticos para melhorar nosso rendimento nos estudos. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A memória de trabalho e a carga cognitiva A memória de trabalho é a capacidade ou espaço de trabalho cerebral que manipula certas informações de forma temporária, a fim de realizar tarefas complexas como o raciocínio, explicou Valle à BBC. "Ela é o processador ou a RAM do nosso cérebro, ou seja, a capacidade de reter e manipular informações durante um breve período de tempo." "É como uma tábua de cortar, o espaço físico onde você coloca todos os ingredientes que precisa cortar e misturar", compara ela. "Se você colocar ingredientes demais, eles irão cair da tábua. E a memória de trabalho não pode 'cozinhar' [processar] mais do que cabe naquela tábua." Portanto, a carga cognitiva é a quantidade de esforço mental (a receita) que a memória de trabalho deve realizar para processar (cozinhar) as novas informações, segundo Valle. A carga cognitiva tem duas partes: a intrínseca, que é a dificuldade inerente do tema; e a extrínseca, que pode aumentar quando o esforço mental for inútil, por ser provocado por explicações confusas ou excesso de estímulos, explica a educadora. "Fazer um ovo frito traz menos carga cognitiva intrínseca do que cozinhar uma paella à valenciana", compara ela. "E, se a receita estiver mal redigida, se faltar luz ou se alguém estiver perturbando enquanto você cozinha, a dificuldade [carga extrínseca] do processo aumenta." A professora Noelia Valle é a criadora do site de divulgação científica 'La Pizarra de Noe'. Arquivo pessoal de Noelia Valle Na nossa 'RAM' cabem apenas 5 a 9 elementos Nossa capacidade de aprender depende do uso eficiente da nossa memória de trabalho, segundo Valle. "O problema é a que a nossa capacidade é muito limitada e só pode conter de cinco a nove elementos. Tanto é assim que, se excedermos esta capacidade, se recebermos mais informações em um mesmo momento do que nosso cérebro pode processar, elas irão se perder." Quando se fala em um limite de cinco a nove "elementos", estamos falando de dados ou de conceitos? Podem ser ambos, segundo a especialista. "Em psicologia, os fragmentos ou unidades de informação são chamados de chunks." "A memória de trabalho tem espaço para manipular entre cinco e nove chunks. A diferença entre dados e conceitos depende se a pessoa que os gerencia é especialista ou novato." "Para um estudante do primeiro ano de medicina, 'frequência cardíaca alta', 'pressão arterial baixa' e 'pele fria' são três dados diferentes, que ocupam espaço na memória de trabalho", explica a professora. "Se eu der mais três sintomas, ela fica saturada." "Para um médico especialista, estes três dados são automaticamente agrupados em um único conceito: 'choque hipovolêmico'." "O médico ocupa um único chunk da sua memória de trabalho com este conceito complexo e, por isso, sobram seis ou sete lacunas livres para incluir o tratamento, a informação que ele irá fornecer à enfermeira e o histórico do paciente." Valle destacou que a memória de trabalho não diferencia se o que está sendo empregado é um dado simples ou um conceito complexo, que já estava armazenado na memória de longo prazo. "Cabem cinco a nove elementos, mas o tamanho deles depende do seu grau de conhecimento", prossegue ela. "Aprender consiste exatamente em transformar muitos dados soltos em um único conceito sólido, para que ocupe menos espaço na memória de trabalho e nos permita pensar em coisas mais difíceis." "A memória dos especialistas não é maior; ela é mais organizada." Valle destaca que os docentes podem ajudar a reduzir a complexidade intrínseca de um tema, por exemplo, segmentando as informações, do simples até o complexo. Os professores também podem reduzir a carga extrínseca, eliminando distrações desnecessárias, como excesso de animações em uma apresentação, entre outras medidas. Explicar o que aprendemos para outra pessoa ajuda a aumentar o nosso rendimento. 'O cérebro não aprende enquanto recebe informações, mas quando se esforça para recuperá-la', segundo Noelia Valle. GETTY IMAGES via BBC Como melhorar o nosso rendimento? Evidências indicam que é mais eficaz estudar duas horas por dia por várias semanas do que estudar muitas horas seguidas no mesmo dia, segundo a educadora. E, nessas duas horas, é importante fazer intervalos para descansar. "Estudando duas horas seguidas, é mais provável que você sature o espaço da sua memória de trabalho e acumule tanta carga cognitiva que acabe fatigado", explica a professora. "E o cansaço e a frustração são distrações, ou seja, carga extrínseca [ruim]." "Fazer breves pausas a cada meia hora permite, de um lado, que as informações passem da memória de trabalho para um estado de consolidação. E, de outro, ao voltar do descanso, você irá obrigar o cérebro a recordar onde estava." "O cérebro não aprende enquanto recebe informações, mas sim quando se esforça para recuperá-las", destaca Valle. Entre as tarefas que realizamos para aprender, as de manutenção (como reler ou recordar uma lista de elementos) têm efeitos neuronais limitados, segundo ela. "Mas as tarefas de atualização [de pensar], que desafiam constantemente o cérebro a manipular as informações e não apenas a retê-las, são as que se associam mais consistentemente ao aumento da atividade em regiões do cérebro que são fundamentais para o aprendizado e a recompensa." Valle oferece alguns exemplos de tarefas que nos obrigam a pensar: Mudar de formatos: transformar um texto em um esquema ou desenho, ou passar um gráfico para uma explicação verbal. Estas atividades nos obrigam a reorganizar mentalmente o conteúdo. Realizar testes de autoavaliação e reescrever a resposta, corrigindo e ajustando o raciocínio. Praticar o que a educadora chama de "dois atrás": ao ler uma lista de passos ou termos, parar e explicar a relação entre o conceito atual e aquele que apareceu duas posições antes. Explicar a uma outra pessoa o que foi aprendido. "O melhor é se a pessoa a quem explicarmos não detiver o conhecimento, pois o seu esforço será muito maior", prossegue a professora. "Ao acabar de ler esta reportagem, por exemplo, explique para alguém a diferença entre dado e conceito para a memória de trabalho." "Se ninguém quiser ou puder escutar, conte para você mesmo, por escrito (pois sempre é bom praticar a redação) ou falando. E, quando estiver estudando, deixe por escrito perguntas sobre o que foi mais complicado de entender, para que, ao voltar ao estudo, você comece respondendo àquelas perguntas." Valle destaca que, "hoje em dia, a IA pode nos ajudar, gerando perguntas ou problemas com diferentes formatos e níveis de dificuldade". Transformar um texto em um esquema ou desenho, ou passar um gráfico para uma explicação verbal, nos obriga a reorganizar mentalmente o conteúdo estudado. GETTY IMAGES via BBC O sono e o entorno O sono é fundamental para os processos de consolidação da memória, segundo Valle. "Sabemos que, enquanto dormimos, o sistema glinfático limpa o cérebro dos resíduos metabólicos e também que, enquanto sonhamos [fase REM], repetimos o que foi aprendido durante o dia, o que ativa os mesmos neurônios e reforça suas conexões." O espaço e o momento escolhidos para estudar também são importantes, afirma a professora. "Se você estudar em um espaço desordenado, com ruídos, ou deixar ativadas as notificações do celular, o seu cérebro usará parte da memória de trabalho para inibir esses estímulos." "Por outro lado, o momento do dia em que começamos a estudar deve ser escolhido de acordo com o nosso cronotipo, ou seja, devemos estudar quando nossas funções executivas estiverem no pico", orienta Valle. "Tentar memorizar algo complexo quando o corpo está no nível mais baixo de energia aumenta a carga cognitiva necessária para uma mesma tarefa." "Enquanto sonhamos [fase REM], repetimos o que foi aprendido durante o dia, o que ativa os mesmos neurônios e reforça suas conexões", segundo a professora Noelia Valle. GETTY IMAGES via BBC Relacionar as informações com nossa própria realidade Aprendemos melhor aquilo no que pensamos, novamente, porque o esforço necessário promove a consolidação da memória. Em termos celulares, consolidar significa criar novas conexões entre os neurônios. E sabemos que os neurônios que são ativados em conjunto acabam se unindo. Por isso, ativar a recordação das novas informações com exemplos cotidianos conhecidos ajuda a criar essa nova conexão, o que garante sua passagem da memória de trabalho para a memória de longo prazo, explica Valle. "Se você estiver estudando a inflação, compare o preço do café de hoje com o de um ano atrás", orienta ela. "Ao conectar a definição com algo que o afeta, você irá criar uma âncora de onde retirar a recordação quando precisar recuperá-la." "Além de ajudar a aprender, isso treinará seu pensamento crítico, o que também é benéfico." "Se você estiver estudando a inflação, compare o preço do café de hoje com o de um ano atrás. Ao conectar a definição com algo que o afeta, você irá criar uma âncora de onde retirar a recordação quando precisar recuperá-la." GETTY IMAGES via BBC O que fazer quando a complexidade de um tema parece intransponível? Antes de nos sentirmos frustrados, devemos ter claro que, quando somos principiantes em algum tema, a carga cognitiva é sempre muito alta, segundo Valle. "Quando você aprende a dirigir, precisa pensar em pisar na embreagem, olhar para os espelhos, mover a alavanca de câmbio, acelerar suavemente, ligar a seta, girar o volante e frear." "Como cada ação ocupa um espaço na memória de trabalho, você se sente saturado e, se nesse momento, alguém fizer uma pergunta irrelevante, o mais seguro é que você não saiba o que responder", destacou a educadora à BBC News Mundo. "Quando você já sabe dirigir e automatizou todos esses movimentos [eles ficam guardados na sua memória de longo prazo], pode manter um diálogo e ouvir o rádio enquanto dirige." Nesses momentos de frustração, Valle recomenda começar fragmentando as informações. "Deixe-as em pedaços tão pequenos que pareçam ridículos, de tão fáceis de aprender. Esses pequenos sucessos gerarão dopamina, que ajudará a superar os desafios." Ela também aconselha a preparar esquemas simples com palavras-chave, para garantirmos que a ordem está correta. "Depois, você passa a elaborar mapas conceituais complexos, integrando as informações relacionadas", orienta a professora. Em momentos de frustração, Valle recomenda fragmentar as informações. "Deixe-as em pedaços tão pequenos que pareçam ridículos, de tão fáceis de aprender. Esses pequenos sucessos gerarão dopamina, que ajudará a superar os desafios." GETTY IMAGES via BBC Entender e respeitar seu cérebro Um cérebro mais forte trabalha menos. Segundo a neurociência, treinar a memória de trabalho causa redução da atividade em regiões fundamentais do cérebro, especialmente na rede frontoparietal, que é fundamental para as funções executivas, explica Valle. "Da mesma forma que um atleta experiente consome menos energia para executar uma ação, em comparação com um principiante, o cérebro, à medida que se torna mais hábil em uma tarefa, exige menos recursos neuronais para atingir o mesmo resultado ou até mesmo ter melhor rendimento." O aprendizado eficaz não se resume em forçar o nosso cérebro além dos seus limites, segundo a especialista. "Trata-se de entender e respeitar a arquitetura cognitiva com que todos nós operamos para minimizar os esforços inúteis e maximizar o aprendizado profundo." O aprendizado eficaz se baseia "em sermos mais inteligentes em relação à forma de apresentação das informações para o nosso cérebro", conclui a professora. Leia aqui o artigo de Noelia Valle no site de notícias acadêmicas The Conversation, com mais conselhos para professores e estudantes. E o site de divulgação científica da professora, "La Pizarra de Noe", está disponível neste link.
11
MAR
Alunos do ITA projetam jogo em que garota de 15 anos foge de 6 homens em ilha; apresentação teve foto de Epstein
Alunos do ITA projetam jogo inspirado no caso Jeffrey Epstein Alunos do curso de engenharia da computação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) apresentaram em sala de aula um projeto de jogo de computador baseado no caso Epstein. No jogo, a vítima é uma personagem de 15 anos, sequestrada e mantida numa ilha por seis homens e que precisa tentar fugir. O caso aconteceu no instituto em uma aula na manhã desta quarta-feira (11). Um grupo, formado apenas por homens, apresentou o jogo que fazia referência ao caso Jeffrey Epstein. Alunos simulam caso Epstein em projeto de jogo no ITA Arquivo Pessoal Em nota enviada ao g1, o ITA afirmou que o caso ocorreu quando os alunos foram convidados a apresentar propostas iniciais de temas para o desenvolvimento de jogos que seriam trabalhados ao longo do bimestrea e que a proposta dos alunos foi imediatamente descartada por ter sido identificada como "assunto inapropriado". "O ITA destaca que o caso está sendo tratado de forma célere e responsável, dentro das normas vigentes da instituição", disse o instituto (veja nota na íntegra ao final do texto). 🔴 Epstein foi um financista americano que se tornou conhecido mundialmente por comandar um esquema de abuso e exploração sexual de meninas menores de idade. Investigadores apontam que ele atraía adolescentes — algumas com apenas 14 anos. Epstein foi preso em 2019 e acusado formalmente de tráfico sexual de menores, mas morreu na prisão enquanto aguardava julgamento. Alunos do ITA apresentam proposta de jogo em que menina de 15 anos tem que fugir de ilha Arquivo Pessoal O ITA é um instituto vinculado à Aeronáutica, focado em engenharia, especialmente na área aeroespacial. A instituição fica em São José dos Campos, no interior de São Paulo. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O que era o jogo? O game chamava 'A Fuga de Sid', o nome faz referência a um aluno do ITA, mas que não faz parte dessa turma, nem mesmo estava quando o trabalho foi elaborado ou apresentado. O jogo tinha como personagem principal uma menina de 15 anos que era sequestrada e levada a uma ilha. No local, ela tinha que tentar fugir conseguindo acesso a um barco e gasolina. Para isso, precisava fugir dos seis vilões do jogo, todos eles homens. Alunos do ITA usam caso Epstein para basear jogo Arquivo Pessoal Na proposta do jogo, cada um desses vilões tinham uma preferência, que ela deveria usar para tentar fugir. Por exemplo, um deles não gostava de pessoas que ficavam rindo. Com isso, a personagem teria que adequar suas expressões às preferências de cada vilão para tentar fugir. Fotos da apresentação mostram que , em um dos slides, os alunos mostraram uma imagem do Epstein. (Veja a imagem acima) A informação do que ocorreu chegou ao g1 depois que prints revelavam a apresentação em um grupo do WhatsApp com alunos e ex-alunos. O g1 conversou com um aluno que estava na sala e contou que a apresentação do projeto seguiu até o fim, sem a interrupção da professora. “Houve apenas um comentário de aquele era um tema sensível, mas os alunos apresentaram e ainda ouviram risos da turma”, contou um aluno que não quis se identificar. Repercussão em grupo de alunos Após a aula, o tema repercutiu em um grupo de alunos do WhatsApp na instituição. Na troca de mensagens, meninas repreendem o comportamento e são respondidas com figurinha de Epstein. Em conversa, aluno responde com figurinha do WhatsApp com Epstein Arquivo Pessoal Depois, um dos meninos responde que não tinham pensado que o uso de uma figura como Epstein poderia se “conectar com a realidade”. “Não, sendo genuíno mesmo mano. A gente pensou por tipo 10min sobre o tema nos inspirando em figurinhas tipo do Sid com o Epstein (com certeza vocês já viram no grupo isso), rascunhamos a apresentação sem pensar gerando imagens aleatórias e não pensamos na conexão que isso tinha com a realidade”, escreveu um dos alunos. Veja a nota do ITA na íntegra: A Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), esclarece que a atividade mencionada ocorreu durante uma aula do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), ministrada para alunos do curso de Engenharia de Computação e que tem, entre os exercícios propostos, a concepção de um jogo interativo, com o objetivo de que os estudantes desenvolvam habilidades de programação e estruturação de código. No contexto dessa atividade, os alunos foram convidados a apresentar propostas iniciais de temas para o desenvolvimento de jogos que seriam trabalhados ao longo do bimestre, exclusivamente no âmbito acadêmico da disciplina. Em relação ao tema específico mencionado na reportagem, a proposta foi imediatamente descartada por ter sido identificada como assunto inapropriado. O ITA destaca que o caso está sendo tratado de forma célere e responsável, dentro das normas vigentes da instituição. Ações de conscientização serão reforçadas junto à comunidade discente por meio do Grupo de Trabalho de Equidade de Gênero e demais órgãos da estrutura administrativa e acadêmica do Instituto. O ITA reafirma seu compromisso com a formação técnica e ética de seus estudantes e com a promoção de um ambiente acadêmico seguro, pautado pelo respeito, pela responsabilidade e pela integridade.
11
MAR
Pé-de-Meia: quando quem se formou no ensino médio ganhará o incentivo de R$ 3 mil? Datas variam de um estado para outro; veja cronograma
Pé-de-Meia: pagamento após conclusão do ensino médio não caiu na conta de todos os alunos Parte dos beneficiários do programa Pé-de-Meia, do Ministério da Educação (MEC), não havia recebido, até esta quarta-feira (11), o pagamento de duas parcelas previstas, mesmo atendendo a todos os pré-requisitos: R$ 1 mil a todos os participantes que terminaram o ensino médio em 2025 (além do desbloqueio de R$ 2 mil referentes aos outros dois anos desta etapa escolar); R$ 200 aos concluintes que prestaram a última edição do Enem e compareceram aos dois dias de prova. ➡️A princípio, o calendário de pagamento teria se encerrado em 5 de março. Segundo a pasta, no entanto, as redes de ensino ainda estão no prazo para enviar informações ao MEC e confirmar quais alunos foram aprovados. Os valores podem ser depositados nas contas dos jovens até junho. Veja as próximas datas previstas mais abaixo e a previsão de pagamento no seu estado. Se a rede enviou em janeiro as informações, garantiu que seus alunos recebessem o dinheiro na primeira janela de pagamento (26 de fevereiro a 5 de março). Já nos estados que não entraram nesse lote, mas que mandaram as listas de alunos até 6 de março, os jovens poderão sacar a quantia na próxima janela (23 a 30 de março). Possíveis ajustes e inclusões de novos alunos (como aqueles aprovados após programas especiais de recuperação) podem ser feitos no sistema até 8 de maio. O último período de depósitos ocorrerá de 29 de junho a 6 de julho de 2026. O g1 perguntou a cada secretaria estadual quando os dados foram ou serão enviados ao governo federal. Veja abaixo: Estados em que a maioria recebeu o pagamento até 5 de março: Alagoas (90% dos beneficiários receberam; alunos de escolas que não enviaram os dados estarão nos próximos lotes) Amapá Amazonas Bahia (246 mil receberam; outros 95 mil receberão entre 23 e 30 de março) Maranhão (processo continuará ocorrendo até junho) Minas Gerais Paraíba Rio de Janeiro Rio Grande do Norte (88% receberam) Rio Grande do Sul (parte ainda vai receber nos próximos lotes) Tocantins (8.710 receberam; 6 mil nomes estão em processamento e estarão nos próximos lotes) Distrito Federal Estados em que o pagamento cairá entre 23 e 30 de março: Acre Ceará Espírito Santo Goiás Mato Grosso Mato Grosso do Sul Pará Paraná Pernambuco Piauí (os que foram enviados em 28/01 receberam) Roraima São Paulo Sergipe (além de cerca de metade dos alunos do Tocantins e de 95 mil da Bahia) Até a última atualização desta reportagem, as redes de Santa Catarina e de Rondônia não haviam informado as datas e o status de envio dos dados. Janelas seguintes de pagamento, para nomes enviados posteriormente: 27 de abril a 4 de maio de 2026 25 de maio a 1º de junho de 2026 29 de junho a 6 de julho de 2026 Transferências dependem também da data de nascimento No programa Pé de Meia, alunos do Ensino Médio recebem R$ 200 mensais, mais R$ 1 mil a cada ano concluído e um adicional de R$ 200 se prestarem o Enem. Divulgação/MEC O pagamento para os concluintes do ensino médio ocorre de acordo com o mês de nascimento de cada um: Janeiro e fevereiro: 1º dia da janela de pagamento Março e abril: 2º dia da janela de pagamento Maio e junho: 3º dia da janela de pagamento Julho e agosto: 4º dia da janela de pagamento Setembro e outubro: 5º dia da janela de pagamento Novembro e dezembro: 6º dia da janela de pagamento 💰Valores prometidos pelo Pé-de-Meia Após efetuar matrícula: R$ 200 (parcela anual) Ao cumprir a frequência mínima nas aulas: R$ 1.800 por ano, pagos em nove parcelas Ao concluir o ensino médio: R$ 1.000 depositados ao final de cada ano eletivo (o valor total só pode ser sacado após a formatura) Ao fazer o Enem no último ano: R$ 200 (parcela única) ✒️Quais os pré-requisitos? Os valores do Programa Pé-de-Meia serão depositados na conta bancária apenas dos estudantes de baixa renda do ensino médio público, desde que eles: possuam CPF; estejam cadastrados no CadÚnico (instrumento do governo federal para coleta de dados de pessoas em vulnerabilidade); tenham se matriculado no início do ano letivo; alcancem frequência escolar de pelo menos 80% das horas letivas; participem do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). No caso dos bônus, é exigido que: não tenham sido reprovados no fim do ano letivo; façam o Enem no fim do 3º ano do ensino médio. ✒️Por que o programa foi criado? Segundo o governo Lula, os objetivos do programa são: reduzir a evasão escolar, já que especialmente os alunos de baixa renda correm um risco maior de abandonar os estudos e entrar precocemente no mercado de trabalho, para ajudar financeiramente a família; incentivar que os jovens de escola pública façam o Enem (em 2023, por exemplo, apenas 46,7% dos concluintes de colégios públicos se inscreveram na prova); diminuir a desigualdade no acesso à universidade e ao mercado de trabalho formal.