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07
MAY
Quem foi Apolônio, o 'Jesus grego' que foi cancelado pelo cristianismo
Gravura de Apolônio de Tiana feita Johann Theodor de Bry, provavelmente no início do século 17 Domínio público O enredo é bem conhecido do mundo religioso. Trata-se da história de um homem barbudo, que trajava túnica simples e que viveu há cerca de 2 mil anos. Era reconhecido como sábio, dotado de excelente oratória e teria realizado milagres: curado doentes, ressuscitado mortos, alimentado famintos. Acabou reunindo seguidores. Provocou a ira dos poderosos romanos e chegou a ser condenado por eles. Mas alcançou a vida eterna, levado de corpo e alma para os céus. Não, não se trata de Jesus de Nazaré. Esta narrativa, que cabe perfeitamente naquela que está na base da religiosidade cristã, é um resumo do que teria sido a vida de um outro personagem extraordinário, um sujeito que também teria vivido no primeiro século da Era Comum: Apolônio de Tiana. E não é por acaso que muitos o definem como o "Jesus grego" ou o "Jesus pagão". A mitologia erguida ao redor de sua biografia guarda semelhanças muito grandes com a narração presente nos evangelhos que contam a trajetória da figura central da religiosidade cristã. "Após sua morte, sua figura passou a ser venerada em algumas cidades do mundo grego oriental", comenta o filósofo Dennys Garcia Xavier, professor na Universidade Federal de Uberlândia. "Em certos locais houve até estátuas e honras cívicas. No entanto, isso não se transformou em igreja organizada ou corpo doutrinário sistemático. Menos ainda em um culto litúrgico estruturado dotado de escritura sagrada normativa." Pouco se sabe de fato sobre quem foi Apolônio, embora haja um consenso entre historiadores de que, assim como Jesus de Nazaré, foi uma figura que existiu de fato. O mais provável é que ele tenha nascido por volta do ano 15 em Tiana, antiga cidade da Capadócia em região da atual Turquia, e morrido por volta do ano 100 na antiga cidade grega de Éfeso, também na atual Turquia. "Certamente existiu Apolônio, assim como existiu Jesus. Não há dúvida quanto a isso. Mas em ambos os casos, suas biografias obedeciam a padrões e expectativas por parte do público e dos padrões da época", comenta o filósofo Gabriele Cornelli, professor na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro Sábios, Filósofos, Profetas ou Magos?, que trata, como diz o subtítulo, da "magia incômoda de Apolônio de Tiana e Jesus de Nazaré". De origem grega, Apolônio foi um filósofo da linha neopitagórica, praticante do ascetismo — ou seja, alguém que renunciava aos prazeres em busca de um desenvolvimento espiritual, com disciplina moral e busca pelo conhecimento — e teria viajado disseminando seus ensinamentos. Acredita-se que ele era de família abastada e, desde muito jovem, tenha estudado filosofia. "Também é possível que ele tenha viajado pelo Mediterrâneo e pelo Oriente, atuando como uma espécie de filósofo itinerante, algo comum em sua época", esclarece a historiadora Semíramis Corsi Silva, professora na Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Conforme explica o historiador Daniel Brasil Justi, professor na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) e na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a carência de referências documentais contemporâneas a Apolônio é algo relativamente recorrente a figuras dessa época. Mas sua existência pode ser comprovada pela chamada múltipla atestação — ou seja, por relatos de autores diferentes e sem relação entre si que tratam do mesmo indivíduo. O que não significa que tudo o que se diga a respeito dele seja verdadeiro. Contaminação literária "O personagem de Apolônio de Tiana é um ótimo exemplo de como história e ficção podem se misturar", diz Silva. "Em termos gerais, a maioria dos pesquisadores considera que ele provavelmente existiu como um filósofo itinerante do século 1º, oriundo da Capadócia, então província do Império Romano. No entanto, a imagem que chegou até nós está marcada por elementos literários." Silva estudou o tema em seu doutorado realizado na Universidade Estadual Paulista. Essa contaminação literária a respeito da vida real de Apolônio foi causada principalmente pela obra Vida de Apolônio de Tiana, livro escrito por Flávio Filóstrato (170-250), um grego sofista que se dedicou a produzir essa biografia elogiosa e com contornos místicos a respeito de Apolônio no século 3º. Segundo Justi, há o entendimento de que registros breves de ditos e supostos milagres realizados por Apolônio tenham servido como pano de fundo para a biografia dele. Gravura de Apolônio feita por Gottlieb Friedrich Riedel em 1780 Domínio público Filóstrato narrou a trajetória de Apolônio por meio de inúmeras viagens. De acordo com o filósofo Cornelli, o que explica que os relatos são cheios de episódios fantásticos é que, na maneira como se biografavam personalidades naquela época, o enredo precisava mostrar que pessoas notáveis eram grandiosas do começo ao fim da vida. "Não tem a ideia da evolução do pouco para o muito. Tem de ser extraordinário do alfa ao ômega", contextualiza. "Sabemos muito pouco sobre a vida real de Apolônio. O que temos é um quebra-cabeças sobre o mundo onde ele esteve, considerando que ele era um filósofo e que teria transitado muito pelo Mediterrâneo e, talvez, até pela Mesopotâmia", comenta Cornelli. Para o pesquisador, é de se supor que ele tenha visitado cidades importantes daquela época, como Atenas, Roma e Alexandria. Como concordam os pesquisadores, a Vida de Apolônio de Tiana muito provavelmente foi um texto encomendado a Filóstrato pela imperatriz romana Júlia Domna (170-217). "Tinha intenções claras de exaltar o personagem ao qual a dinastia severiana [que governou de 193 a 235] parece ter admirado e até cultuado", pontua Silva. "A grande questão é que esse livro pode muito bem ser uma biografia romanceada, muito mais do que uma biografia propriamente dita", afirma o filósofo Aldo Dinucci, professor na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). No livro estão narrados feitos extraordinários realizados por Apolônio — curas, previsões e um rol de milagres. "Ele seria o homem sagrado mais famoso da antiguidade, só perdendo para Jesus", comenta Dinucci. E teria viajado muito. "Os relatos falam em visita aos brâmanes na Índia e aos filósofos que andavam nus na Etiópia", diz Dinucci. "E entre seus feitos estaria a ressurreição de uma garota." Apolônio seria um homem de oratória impressionante e que, no início de sua missão, havia feito um voto de silêncio de cinco anos. Acredita-se que a obra de Filóstrato tinha interesse em engrandecer o personagem tanto por seus gostos próprios como pela predileção da dinastia que estava no poder em Roma. A existência de Apolônio como personagem histórico apoia-se no fato de que ele também é mencionado em outras obras. "De forma mais sóbria e até crítica", salienta Silva. É o caso de autores como o historiador romano Dião Cássio (155-229). "Isso reforça a ideia de que sua vida não se trata de uma invenção completa", diz a historiadora. "Além disso, há a tradição de cartas atribuídas a Apolônio. Embora a autenticidade delas seja discutida, isso indica que já na Antiguidade circulava a imagem de Apolônio como mestre filosófico e conselheiro, para além da biografia escrita por Filóstrato", argumenta ela. Por conta desse cenário, o mais aceito hoje é que Apolônio seja um personagem real. Mas alguém que teve sua vida progressivamente reinterpretada e, como enfatiza Silva, "enriquecida pela tradição literária, adquirindo contornos que misturam história e ficção". Não muito diferente do que costuma acontecer com personagens religiosos. Contemporâneos mas desconhecidos Embora Apolônio e Jesus possivelmente tenham sido praticamente contemporâneos, não há evidências de que um tenha sabido da existência do outro. "Não existe qualquer evidência histórica confiável de contato direto entre eles, nem sequer indireto", diz Xavier. "Isso não deve surpreender o homem contemporâneo. O mundo romano do século 1º era vastíssimo, e figuras religiosas itinerantes surgiam aos borbotões em diversas regiões simultaneamente. Jesus atuou principalmente na Galileia e na Judeia. Apolônio circulou sobretudo pela Ásia Menor, Síria, Egito e Grécia, ao que parece." "Essa é uma questão interessante porque aproxima duas figuras que, embora contemporâneas, pertencem a tradições diferentes. Apolônio de Tiana e Jesus de Nazaré teriam vivido no início do século 1º e ambos foram posteriormente associados a feitos extraordinários", comenta Silva. "Porém, não há evidência histórica de que tenham tido conhecimento um do outro. As fontes que mencionam Apolônio, especialmente a obra de Filóstrato, são relativamente tardias e não fazem referência a Jesus ou ao movimento cristão. Da mesma forma, os textos do Novo Testamento não mencionam Apolônio." Cornelli diz ser possível que Filóstrato tenha ouvido falar sobre Jesus — mas acha improvável que ele tenha tido contato com os textos que narravam a vida do nazareno. "Na época, ele não era alguém tão importante", ressalta. A historiadora Silva lembra que os seguidores de ambos, estes sim, de alguma forma esbarraram na história um do outro. Ela nota que a partir do final do século 3º, com o cristianismo começando a se consolidar, há registros de autores estabelecendo comparações entre o nazareno e o tianeu. "Sosiano Hierócles, escritor e político romano ativo no final do século 3º e início do 4º, escreveu uma obra conhecida como Amante da Verdade, na qual teria apresentado Apolônio com um exemplo de sábio comparável, ou até superior, a Jesus", comenta a historiadora. O bispo cristão Eusébio de Cesareia (265-339), considerado o primeiro historiador do cristianismo, não gostou. Rebateu com um tratado intitulado Contra Hierócles, no qual defendia a singularidade de Jesus. Vídeos em alta no g1 Magia e charlatanismo Silva frisa ainda que há nos textos greco-romanos diversos textos que apresentam Apolônio de forma mais crítica. Era a oposição entre a teurgia e a goécia — um lado visto como ligado aos deuses, outro demoníaco. "Em certos relatos, ele não aparece como um sábio ascético que não comia ou vestia nada vindo de animais em busca de pureza e elevação", comenta. "Nessa outra tradição, ele é associado à figura do 'goēs', alguém ligado a práticas de encantamento, feitiçaria e manipulação de forças ocultas." Ela explica que esta era uma visão pejorativa. E Apolônio foi qualificado como ligado a magia goética em uma homilia do arcebispo de Constantinopla João Crisóstomo (347-407). Cirilo de Alexandria (375-444) era outro bispo que também o criticava. "Para esses autores, o tianeu era um charlatão", observa a historiadora. Para o historiador Justi, há uma diferença etimológica que separa a narrativa de Jesus da de Apolônio — e isto permeia a descrição do fantástico que eles supostamente faziam. Enquanto a tradição latina adotada pelo cristianismo derivou para a palavra milagre, a linha grega dos relatos de Apolônio empregava a ideia do taumaturgo. Ou seja: do que fazia encantamentos, maravilhas. Gradualmente, o cristianismo passou a demonizar um lado, como sendo o da magia, e valorizar o outro, como sendo o do divino. Com a consolidação da religião baseada nos ensinamentos de Jesus, veio o apagamento de Apolônio. "Por trás das duas figuras, há um campo semântico diferente", comenta Justi. "Mas ambos estão no âmbito da magia, em crenças que dominavam o Mediterrâneo da época." A diferença, explica o historiador, é que gradualmente se consolida a ideia de que um era um divino, enquanto o outro o feiticeiro. Assim como Jesus, Apolônio também teve seguidores póstumos. A historiadora Silva, contudo, lembra que o modelo não foi semelhante ao do cristianismo — não há indícios de que tenha nascido uma religião organizada, com comunidades e doutrina, a partir do legado do sábio grego. "Não foi uma religião fundada, mas sim um conjunto de pessoas que seguiam essas ideias", aponta Justi. "Mas Filóstrato conta que chegou a visitar um templo dedicado ao culto de Apolônio em Tiana", acrescenta Dinucci. "As fontes […] indicam que ele foi seguido como um mestre filosófico ligado ao neopitagorismo, e admirado por seu estilo de vida ascético e pelos seus ensinamentos", comenta Silva. "Após sua morte, sua reputação não só continuou como foi ampliada. Ele passou a ser visto como um 'homem divino'." Para ela, o que houve foi uma "recepção intelectual" de sua figura. Apolônio de Tiana ensina aos seus discípulos Getty Images Para os especialistas, as histórias parecidas entre Jesus e Apolônio têm muito mais a ver com o caldo cultural onde esses personagens foram ressignificados do que com uma coincidência aleatória. "As semelhanças […] podem ser explicadas principalmente pelo contexto cultural do mundo antigo", pontua Silva. "Tanto nas tradições grego-romanas quanto nas orientais, em contatos e confluências, era comum atribuir feitos extraordinários a figuras consideradas 'homens divinos', incluindo curas e narrativas de retorno da morte." "Isso não significa necessariamente que as histórias dependam uma da outra, mas que compartilham um mesmo repertório religioso e literário da época", ressalta ela, acrescentando que os embates entre cristãos e não-cristãos, reforçando as comparações entre os dois, serviram para ampliar ainda mais a ideia de que havia semelhanças. Daí não só os feitos ditos milagrosos de Apolônio, como também a crença de que ele não teria morrido — mas sido levado aos céus e, depois da morte, como um ressuscitado, reaparecido a algumas pessoas. "Essas histórias eram comuns na época sobre personagens importantes", pontua Cornelli. "Eram tão extraordinários que precisavam ser percebidos com algum tipo de poder divino ou alguma ligação especial com o divino. Isso independia da religião, se grega, romana ou judaica." Ele diz que tais narrativas combinavam a junção do conhecimento, da sabedoria, do ensinamento, das falas importantes e de algum tipo de poder divino — que aparecia do nascimento à morte. Apolônio também, acreditava-se, tinha sido fruto de uma concepção virginal — lembra Cornelli. "E no final da vida morre, mas reaparece. Ressuscita", analisa ele. "A mesma maneira de contar as histórias: um começo extraordinário até um fim extraordinário." Apagamento histórico Justi conta que o imperador Constantino (272-337), aquele que se converteu ao cristianismo, acabou sepultando a memória de Apolônio. "Há evidências de que, quando ele mandou destruir tudo [o que era ligado ao paganismo], foram destruídos materiais ligados a Apolônio", comenta. Embora seja inevitável comparar o tianeu e o nazareno com os olhares contemporâneos, o anacronismo torna esse paralelismo incorreto. "Atribuir a Apolônio a ideia de um 'Jesus pagão' é desconhecer por completo a dinâmica da Bacia Mediterrânea, em que havia um sem-número de personalidades parecidas com Jesus", lembra Justi. "Talvez o ponto mais relevante seja compreender quem Apolônio realmente foi dentro da tradição filosófica antiga", acredita Xavier. "Ele não foi um profeta apocalíptico como Jesus, nem fundador de religião revelada. Foi antes um representante tardio do ideal grego segundo o qual a filosofia é uma forma de vida." Para o professor, Apolônio é "testemunho de que o século 1º foi um período sobremaneira fértil em figuras carismáticas que procuravam reformar a vida moral e religiosa do mundo antigo". Apolônio de Tiana, o 'Jesus pagão' a quem se atribuíam milagres e que era considerado divino e imortal Páscoa: as razões políticas por trás da condenação de Jesus à cruz Quem foi Maria Madalena e qual seu papel na Sexta-feira da Paixão
07
MAY
Terras raras (que não são terras nem raras) colocam Brasil no meio de 'guerra fria' entre EUA e China; veja 10 perguntas e respostas
Terras raras: os minerais estratégicos que podem redefinir a economia brasileira O avanço da tecnologia e a corrida pela energia limpa colocaram o Brasil no centro de uma disputa geopolítica global, já que o país tem a segunda maior reserva das chamadas terras raras (curiosidade: na verdade, elas não são terras e tampouco raras, como você entenderá nesta reportagem). Esse "trunfo" está na pauta do Congresso Nacional e é tema estratégico da reunião desta quinta-feira (7) entre os presidentes Lula e Donald Trump (EUA). Nesta reportagem, veja as respostas para as seguintes questões: O que são terras raras e quais elementos fazem parte desse grupo? O que diferencia as terras raras de metais comuns como cobre ou ferro? Como elas aparecem no seu dia a dia e por que são basicamente insubstituíveis? Por que o processamento desses elementos é tão caro e complexo? Qual a diferença entre terras raras 'leves' e 'pesadas'? Qual o custo ambiental da extração? O que faz do Brasil um território privilegiado? Por que o Brasil ainda não aproveita todo o seu potencial? Como funciona a 'guerra fria' das terras raras entre China e EUA? O que está em jogo na conversa entre Lula e Trump e no Congresso? O interesse mundial nas terras raras tem uma explicação: a eficiência. Esses elementos (com nomes complicados, como neodímio, praseodímio e disprósio) funcionam como as "vitaminas" da indústria tecnológica, essenciais para fabricar desde motores potentes de carros elétricos até o sistema que faz o seu celular vibrar. Embora o Brasil destaque-se na concentração desses recursos, ainda não detém a tecnologia necessária para processá-los. O desafio brasileiro é deixar de ser apenas um fornecedor de matéria-prima e tornar-se uma potência tecnológica. Entenda mais abaixo. 🟠O que são terras raras e quais elementos fazem parte desse grupo? Amostras de terras raras: Óxido de cério, Bastnasita, óxido de neodímio e carbonato de lantânio REUTERS/David Becker As terras raras receberam esse nome no final do século XVIII e no início do XIX. Não é exatamente uma terminologia precisa: elas não são "terras" e nem tão "raras" assim na crosta terrestre. Trata-se de um grupo de 17 elementos químicos da Tabela Periódica (sim, aquela que você estudou na escola). "As terras raras são uma família com uma característica curiosa: todos parecem irmãos gêmeos. Vivem juntos nas rochas e se comportam de forma tão parecida que a própria natureza tem dificuldade de separá-los — e a indústria também", explica o geólogo Alexandre Magno Rocha, professor do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN). Fazem parte deste grupo: Os 15 lantanídeos: elementos que vão do lantânio ao lutécio. Eles são "quimicamente pegajosos": onde está um, geralmente estão todos os outros, o que torna a separação deles um dos maiores desafios da engenharia moderna. ➡️O nome “lantanídeo” vem do primeiro elemento da fila, o Lantânio (do grego lanthanein, que significa 'escondido'). É um nome muito apropriado, porque são elementos que ficam “escondidos” uns dentro dos outros nas rochas. Escândio e ítrio: costumam aparecer associados aos lantanídeos e, por isso, também recebem o rótulo de “terras raras”. Terras raras: tipos e usos Arte/g1 🟠O que diferencia as terras raras de metais comuns como cobre ou ferro? Óxidos produzidos após o processamento de terras raras Acervo CETEM Enquanto o ferro e o cobre são usados em grandes volumes para construção e fiação, as terras raras operam como componentes de altíssima performance. "Podemos dizer que as terras raras são 'vitaminas da indústria tecnológica': usadas em pequenas quantidades, mas sem elas o desempenho de muitos sistemas cai drasticamente", afirma Ysrael Marrero Vera, pesquisador do Centro de Tecnologia Mineral (CETEM/MCTI). 1- O magnetismo desses elementos é um dos pontos que mais impressionam os cientistas. "O neodímio tem propriedade de magnetismo que destoa de elementos mais baratos. Uma fração muito pequena vai ter efeito igual a quilos de ferro", explica Emiliano Castro de Oliveira, docente do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). De acordo com Sidney Lima Ribeiro, professor titular no Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp), a explicação técnica para esse poder está na estrutura atômica: ➡️Os elétrons ficam em uma camada tão profunda do átomo (orbitais 4f) que não sofrem interferência do ambiente externo. Por isso, eles mantêm o "spin" (que você pode imaginar como o giro constante de um pião) sempre na mesma direção. ➡️É esse giro protegido e incessante que garante que um ímã de neodímio, por exemplo, seja muito mais forte e estável do que um ímã de geladeira comum. 2- Outra grande diferença das terras raras em relação a outros metais é a estabilidade. Alguns desses elementos conseguem manter a condução elétrica e o magnetismo mesmo quando o equipamento esquenta muito. "Na busca por chips cada vez menores, elementos químicos com mais possibilidade de controle e de estabilidade acabam sendo mais desejáveis. Isso diminui a margem para impurezas e falhas", explica Emiliano Oliveira, da Unifesp. 🟠Existem substitutos? Até existem, mas há perda de qualidade. "Há substitutos parciais, mas não equivalentes em desempenho. Se usarmos outros materiais, o equipamento pode ficar mais pesado, menos eficiente, maior ou consumir muito mais energia", explica o pesquisador Ysrael Marrero Vera. 🟠Quais tecnologias são geradas a partir das terras raras? Se você abrir um celular, desmontar um carro elétrico ou observar uma torre de energia eólica, encontrará terras raras. Elas são essenciais porque permitem um alto desempenho com pouca massa. Em outras palavras: graças a elas, conseguimos criar aparelhos minúsculos que são incrivelmente poderosos. Veja como elas aparecem no seu dia a dia e por que se destacam: Superímãs (Neodímio e Praseodímio): São os "músculos" da tecnologia. Em um carro elétrico, esses ímãs permitem que o motor seja pequeno e leve, mas com força suficiente para acelerar o veículo. Sem eles, precisaria ser gigante para ter a mesma potência. Celulares e Eletrônicos: Estão nos alto-falantes e no sistema que faz o aparelho vibrar. Também garantem o brilho e as cores vibrantes das telas (graças ao európio e térbio). Energia Limpa: Uma única turbina eólica de grande porte pode usar centenas de quilos de neodímio em seus geradores para transformar vento em eletricidade de forma eficiente. Saúde e Defesa: São fundamentais em máquinas de ressonância magnética, lasers cirúrgicos, drones, sensores e sistemas de orientação de satélites. 🟠Por que o processamento desses minerais é tão caro e complexo? O problema não é achar o minério, mas "desgrudar" um elemento do outro. Como são quimicamente muito parecidos (os tais "irmãos gêmeos"), separá-los exige um processo industrial exaustivo e caro. O processamento um dos maiores desafios da engenharia moderna. Em resumo, o preço elevado não se deve à escassez geológica, mas à exigência industrial: consumo massivo de reagentes: uso repetitivo de ácidos e ingredientes orgânicos caros; infraestrutura especializada: necessidade de plantas industriais contínuas com controle rigoroso de pH e acidez; gestão de resíduos: tratamento de efluentes (metais, sulfatos e nitratos) e controle de radioatividade natural para evitar desastres ambientais. conhecimento técnico: profissionais com formação avançada para operar processos que a China levou mais de 50 anos para dominar. 🟠Quais são as etapas de processamento? Abaixo, veja o detalhamento das etapas desse processo e os fatores que encarecem a produção: 1. Concentração Física do Minério O processo começa com a extração do solo, seguida de métodos físicos para aumentar o teor de terras raras e descartar materiais sem valor comercial. "De cada mil quilos de minério, você tira um quilo de terra-rara — ou menos", afirma Fernando José Gomes Landgraf, do INCT Terras Raras da Poli-USP. 2. Ataque Químico e Dissolução (o papel dos ácidos) Nesta fase, o concentrado sólido é transformado em um "caldo químico". Para dissolver a rocha e colocar os elementos em solução, utilizam-se reagentes químicos agressivos. "Muitas vezes, podem envolver outros compostos químicos artificiais que têm custo elevado. Por exemplo, dissolver rocha com algum composto pode demandar um ácido muito caro de produzir, ou um ácido que pode causar impacto ambiental muito grande", afirma Emiliano Castro de Oliveira, docente do Instituto do Mar da Unifesp. Essas substâncias exigem medidas de segurança extremas que elevam consideravelmente o custo operacional. 3. Remoção de Impurezas e Radioatividade Após a dissolução, é necessário limpar a solução de elementos como ferro, alumínio e cálcio. Um complicador crítico é a presença de tório e urânio em certos minerais, como a monazita, o que exige um licenciamento e controle radiológico adicional. 4. Separação Individual Este é o verdadeiro gargalo tecnológico. Como as terras raras têm comportamentos químicos quase idênticos, não é possível separá-las em uma única operação. Utiliza-se a extração por solventes, em que a solução aquosa entra em contato com uma fase orgânica (como um "óleo químico") que puxa seletivamente determinados elementos. "O problema é que essa seletividade é pequena. Ou seja, o reagente não separa perfeitamente um elemento do outro de uma vez só. Por isso, a separação precisa ser repetida muitas vezes, em dezenas ou até centenas de etapas, até atingir a pureza necessária", afirma Ysrael Marrero Vera, do CETEM/MCTI. No caso de elementos mais escassos e pesados, como o lutécio, o preço astronômico (até US$ 15 mil o quilo) justifica-se justamente pelos milhares de estágios de separação necessários para isolá-lo da mistura. 5. Precipitação e Refino Final Após serem isoladas, as terras raras são recuperadas da solução, geralmente por precipitação química, e transformadas em óxidos comerciais, como o óxido de neodímio ou de praseodímio. 🟠Qual a diferença entre terras raras 'leves' e 'pesadas'? No mercado, a pergunta que define o valor de uma jazida não é apenas "há terra rara?", mas sim "quais terras raras você tem?". Leves (Ex: lantânio, cério, neodímio): Mais abundantes. Pesadas (Ex: disprósio, térbio, lutécio): Mais raras e decisivas para tecnologias de ponta. O custo de isolar esses elementos é o que dita o preço final. Segundo Sidney Lima Ribeiro (Fapesp), "o óxido de lutécio custa entre US$ 5 mil e US$ 15 mil o quilo – não apenas pela escassez geológica, mas principalmente pelos milhares de estágios de separação necessários para isolá-lo". 🟠Qual o custo ambiental? Como qualquer atividade minerária de grande porte, a produção de terras raras impõe desafios severos ao meio ambiente. O maior problema não é a retirada do minério em si, mas as etapas químicas necessárias para separá-lo. Os principais impactos são: uso intensivo de substâncias tóxicas; geração de resíduos radioativos; alto consumo de água e de energia; desmatamento; contaminação de águas superficiais e profundas. 🟠O que faz do Brasil um território privilegiado no assunto 'terras raras'? Para entender por que o Brasil concentra a segunda maior concentração de terras raras, imagine que a natureza precisou seguir uma receita de bolo muito específica e demorada. O país destaca-se porque reúne três ingredientes que raramente aparecem juntos: origem vulcânica, clima tropical e tempo. Abaixo, explicamos o "passo a passo" dessa formação: Tudo começa com magmas muito profundos (chamados de mantélicos). De acordo com Felipe Emerson Andre Alves, pesquisador do CETEM/MCTI, eles são especiais porque se formam a partir de uma "fusão parcial" do manto, trazendo elementos que normalmente ficam escondidos nas profundezas da crosta terrestre. Esse magma sobe para a superfície por meio de vulcões (hoje extintos). O tipo mais importante é o magma carbonatítico. "Imagine-os como 'cofres naturais' onde a Terra guardou esses elementos por milhões de anos", compara o professor Alexandre Magno Rocha. Uma vez que essas rochas chegam à superfície, entra em cena o fator "clima brasileiro". O calor e as chuvas tropicais causam o intemperismo — um processo de "desmontar" as rochas. As chuvas e a temperatura vão desgastando a rocha original, mas as terras raras são resistentes e “não vão embora”. Elas acabam ficando ali, concentradas no solo, enquanto o resto da rocha é lavado. 🟠Por que o Brasil tem concentração alta de terras raras? O Brasil apresenta o que os geólogos chamam de "combinação geológica rara": um território vasto que, no passado, passou por todas as condições ideais para criar essas rochas. Um dos maiores exemplos é a Província Ígnea do Alto Paranaíba (que abrange regiões de Minas Gerais e Goiás). Ali, existe o chamado Cinturão de Araxá-Catalão, que o professor Caetano Juliani (USP) define como único no planeta: "Geólogos consideram que esta região abriga a maior faixa contínua de jazidas de terras raras pesadas fora da China". Além das rochas vulcânicas, o Brasil descobriu recentemente um "tesouro" mais fácil de minerar: as argilas iônicas. "Nelas, as terras raras não formaram um cristal duro. Elas ficam apenas 'grudadas' na superfície da argila. É como se estivessem presas por um ímã fraco. Por isso, basta usar uma solução líquida simples para retirá-las, o que torna o processo muito mais barato", detalha o pesquisador Fernando Landgraf (Poli-USP). O problema aqui é o impacto ambiental ainda mais relevante (causa lixiviação, “lavagem do solo”). ➡️Resumindo: O Brasil é privilegiado porque teve os vulcões certos no passado e o clima tropical exato (chuva e calor) para "preparar" esse solo por milhões de anos, deixando as terras raras prontas para serem coletadas. 🟠Por que o Brasil não aproveita tanto seu potencial? Apesar da abundância de recursos, o Brasil ainda enfrenta o desafio de evoluir para a etapa industrial (liderada pela China, que concentra 90% do processamento de terras raras no mundo. É preciso entender que, no jogo geopolítico atual, nosso país ainda ocupa a posição de fornecedor de "ingredientes"; "O Brasil domina o primeiro capítulo da história — encontrar o minério. O desafio agora é escrever os capítulos seguintes: a química fina, a purificação e a industrialização que transformam rocha em tecnologia e tecnologia em soberania", resume o professor Alexandre Magno Rocha. Por isso, atualmente, o Brasil corre o risco de repetir com as terras raras o que já acontece com o minério de ferro e a soja: exportar o produto bruto por um preço baixo e importar o produto final (como chips e motores) por um valor muito mais alto. "A gente tem capacidade de mineração, mas não tem indústria de processamento. O Brasil não dispõe do segundo e do terceiro estágio: não temos como processar nem como aplicar em larga escala", diz o professor Emiliano Castro de Oliveira (Unifesp). Historicamente, o país já dominou técnicas de separação desses elementos no século passado, mas o conhecimento ficou restrito aos laboratórios. "O know-how [como fazer] existe principalmente nas universidades. Foi mais fácil exportar o minério bruto e comprar os elementos puros", explica Sidney Lima Ribeiro, da Fapesp. Enquanto isso, a China investiu por 50 anos para se tornar a "fábrica" do setor. 🟠O que é a 'guerra fria' das terras raras? O domínio chinês: A China não apenas tem alta quantidade de minério: ela controla as refinarias. Hoje, o mundo ocidental (incluindo os EUA) depende das fábricas chinesas para transformar o minério em componentes utilizáveis. O contra-ataque dos EUA: Para reduzir essa dependência, devido à guerra comercial e às restrições chinesas à exportação, o governo americano tem buscado parceiros alternativos — e o Brasil é um dos principais candidatos. Esses elementos são prioridade de segurança nacional dos EUA para tecnologia, defesa e economia. "O problema atual não está relacionado à escassez física, e sim à restrição dos países que conseguem produzir. China e EUA já estão tendo atrito comercial há um tempo, com respostas da China em restringir exportações aos americanos", explica Oliveira. Ou seja: não há escassez de terras raras no planeta, mas pode faltar acesso a elas por motivos diplomáticos. É o que os especialistas chamam de "escassez política". 🟠E o Brasil na ‘Guerra Fria’? Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, Donald Trump. Pablo Porciúncula e Andrew Caballero-Reynoldos/ AFP via Getty Images Com a segunda maior reserva do mundo, o país está no centro de uma disputa de forças entre os Estados Unidos e a China. Enquanto Pequim domina 90% do refino mundial e usa isso como pressão política, Washington corre para encontrar fornecedores que não sejam os chineses. Essa urgência americana é um dos temas centrais da reunião entre os presidentes Lula e Donald Trump, nesta quinta-feira (7), na Casa Branca. Para o Brasil, as terras raras são a "moeda de troca" em uma agenda que envolve desde tarifas comerciais até o combate ao crime organizado: A visão dos EUA (Trump): Querem acesso rápido, menos burocracia ambiental e garantia de que o minério brasileiro priorize as fábricas americanas. O objetivo é blindar indústrias de defesa, chips e carros elétricos contra cortes de exportação da China. A visão do Brasil (Lula): O governo brasileiro adota um tom de soberania nacional. O lema é: o subsolo é da União e "ninguém mete a mão". A estratégia é não assinar acordos de exclusividade e garantir que o minério não saia do país no estágio "bruto". "O Brasil domina o primeiro capítulo da história — encontrar o minério. O desafio agora é o valor agregado. Não queremos apenas exportar pedras; queremos produzir o ímã e o chip aqui", afirma o professor Alexandre Magno Rocha. Para fortalecer a posição do Brasil antes do encontro nos EUA, a Câmara dos Deputados aprovou, em regime de urgência, a criação da Política Nacional para a Exploração de Minerais Críticos. O projeto prevê um fundo de até R$ 5 bilhões para incentivar empresas que tragam tecnologia de transformação para o Brasil. A intenção é só aceitar parcerias se houver transferência de tecnologia.
06
MAY
Dia da Matemática: o que é o ‘buraco negro’ que nos leva sempre ao mesmo número secreto?
Lousa Reprodução Que a matemática é cheia de mistérios e curiosidades, todo mundo sabe. Mas você conhece a Constante de Kaprekar? Esse é um dos fenômenos aritméticos mais fascinantes para os estudiosos da área é um "buraco negro" numérico que sempre aparece em subtrações de quatro algarismos. Para resumir, funciona mais ou menos assim: imagine escolher quatro algarismos quaisquer e, ao aplicar uma regra simples de ordenação e subtração, ser inevitavelmente ''sugado" para o número 6174. A princípio, pode parecer complexo, mas é bem simples. E, como o nome diz, é constante. Ou seja, acontece sempre! Vídeos em alta no g1 Neste 6 de maio, Dia Nacional da Matemática, o g1 te explica como a Constante de Kaprekar acontece e como chegar até ela. 6174: O número impossível de fugir Para ver a mágica acontecer, basta seguir alguns passos simples: Escolha quatro algarismos de 0 a 9 (desde que não sejam todos iguais). Os organize em duas ordens diferentes: do maior para o menor, e do menor para o maior . Em seguida, subtraia o menor número do maior (maior − menor). Repita o processo com o resultado, reordenando os algarismos nas duas ordens e subtraia novamente, até chegar em 6174. Veja o exemplo com o número 3524: 5432 − 2345 = 3087 8730 − 0378 = 8352 8532 − 2358 = 6174 Em no máximo sete passos, você chegará ao 6174. E o mais curioso: se tentar repetir o processo com o próprio 6174 (7641 – 1467), o resultado será... 6174. Ele é um ponto fixo; uma vez que você entra, não sai mais. Um detalhe que torna tudo ainda mais interessante é que todos os resultados intermediários dessa "caça" ao 6174 são sempre múltiplos de 9. O "Viciado em Números" que desafiou a academia Essa descoberta não veio de um laboratório de alta tecnologia, mas da mente de Dattaraya Ramchandra Kaprekar, um professor de escola primária na Índia que nasceu no início do século 19 e que se descrevia como um “viciado em números”. "Por muitas vezes, ele foi ridicularizado por matemáticos acadêmicos de sua época, muito por conta da falta de 'pedigree acadêmico' e também por sua falta de provas, pois suas descobertas se davam por intuição ou por grandes cálculos manuais e cansativos", explica o professor licenciado de Matemática e docente do QI Educação, Panthio Peixoto Vicente Junior. Hoje, seu legado é reconhecido mundialmente e, para o professor Panthio, a história do indiano deixa uma lição valiosa: a de que o universo dos números não é restrito a quem possui títulos acadêmicos, mas se revela àqueles que se dedicam com curiosidade e persistência a descobri-lo. Como a "mágica" acontece? Segundo professores ouvidos pelo g1, o grande "mistério" é explicado por conceitos matemáticos como valor absoluto (ou valor posicional), ordenação (crescente e decrescente) de múltiplos e divisores e operações básica. A curiosidade também ilustra ideias importantes como padrões, algoritmos e pontos fixos. Fellipe Rossi, professor de Matemática da Escola SAP, explica o que acontece: Neste conjunto, o processo [da subtração] sempre conduz a um ponto fixo único. A forma como o sistema decimal organiza os dígitos faz com que as diferenças entre os números convirjam para esse valor [6174]. As regras e outras dimensões Como toda boa regra, existem exceções. O cálculo não dá esse resultado caso os algarismos sejam todos iguais (como 1111 ou 2222), pois a subtração resultará em zero e o processo se interrompe. Além disso, o fenômeno muda dependendo da quantidade de dígitos. Com 3 algarismos, o destino final é a constante 495. Por exemplo, utilizando o 352: 532 − 235 = 297 972 − 279 = 693 963 − 369 = 594 954 − 459 = 495 Com 2 ou 5 algarismos, a matemática não encontra um ponto fixo, mas cria ciclos infinitos de números que se repetem. Fascínio em sala de aula Para os professores de matemática, a Constante de Kaprekar é uma ferramenta poderosa de engajamento, porque atrai a atenção dos alunos. O professor Panthio Vicente Junior nota que o truque desperta um fascínio imediato, especialmente nos alunos mais novos, que ficam curiosos para descobrir o "segredo" por trás do número. Já para os mais velhos, o tema abre portas para estudar sistemas dinâmicos, algoritmos e ciência da computação. A Constante geralmente é trabalhada em sala a partir do 6º ano, e ajuda a fixar conceitos de ordenação, múltiplos e divisores de forma lúdica. Fellipe Rossi avalia que a maior lição de Kaprekar é mostrar como regras simples podem revelar padrões surpreendentes, incentivando o pensamento investigativo. Afinal, como o próprio Kaprekar demonstrou, a matemática não se prende a títulos; ela responde a quem quer descobri-la.