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FEB
Curso de Medicina da Ufes em Alegre pode ser autorizado ainda em fevereiro, diz ministro da Educação
Campus da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em Alegre Reprodução/ TV Gazeta O curso de Medicina no campus de Alegre da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), no Sul do estado, pode ser autorizado ainda em fevereiro. O anúncio foi feito durante visita do ministro da Educação, Camilo Santana, nesta terça-feira (10). “Vamos autorizar em Alegre, região sul, (o curso de Medicina). A nossa intenção é ampliar os cursos de Medicina nas nossas universidades federais. Ampliar também o número de vagas nos campi que já existem”, afirmou o ministro. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp De acordo com o reitor da Ufes, Eustáquio de Castro, a Comissão de Acompanhamento e Monitoramento das Escolas Médicas (Camem) já verificou a viabilidade de implementação do curso no campus de Alegre. "Se a comissão der um sinal positivo, o presidente Lula assina a implementação do curso", explicou o reitor. Assim como no campus de São Mateus, no Norte do estado, estão previstas 60 vagas anuais para o curso de Medicina em Alegre, com ingresso de estudantes a partir do primeiro semestre de 2027. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Curso em São Mateus começa no segundo semestre Durante a visita ao estado, a Ufes também confirmou que o início das aulas do curso de Medicina no campus de São Mateus será no segundo semestre deste ano. A previsão inicial era de que as atividades começassem no início de 2026, mas o cronograma foi ajustado. Os estudantes que vão iniciar o curso já fizeram a seleção através do Sisu. LEIA TAMBÉM: EM ESCOLA PÚBLICA: Professora costura redes e cria espaço de leitura para alunos do ES OLÍMPIADA DE ROBÓTICA: Robôs rapper e bailarina levam estudantes de escola pública do ES para competição ÓCULOS: Criados por alunos de escola pública do ES, equipamentos detectam sono e podem evitar acidentes Carteira Nacional Docente do Brasil foi entregue pelo Ministro Camilo Santana a professores do Espírito Santo, em visita ao estado em 10 de fevereiro Angelo Miguel/MEC Carteira Nacional Docente para 1,3 mil professores A visita de Camilo Santana teve como objetivo principal entregar a 1.361 professores capixabas, do ensino básico ao superior, a Carteira Nacional Docente do Brasil. A medida faz parte do programa Mais Professores para o Brasil e garante acesso a benefícios exclusivos, como descontos em eventos culturais, cartões de crédito com condições diferenciadas e descontos em serviços. Além disso, outros 99 professores receberam vales-computadores, iniciativa do mesmo programa que visa premiar os profissionais da rede pública de ensino com um crédito de R$ 3 mil destinado à compra de computadores, notebooks ou tablets. Ao todo, 100 mil professores das escolas com maior nota no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) serão selecionados para receber o vale. No Espírito Santo, 1.990 são elegíveis. Para o ministro, as ações são importantes para valorizar “a profissão mais importante que existe, que é a de professor”. “Temos que criar uma cultura nesse país para que a profissão de professo seja uma das profissões mais importantes da nação. Então, bons professores são fundamentais para garantir a qualidade.” Obras na Ufes Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam) em Vitória, Espírito Santo. Divulgação/Ufes Camilo Santana também conheceu as obras de ampliação do Pronto Socorro e da UTI do Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes (Hucam-Ufes), que recebeu R$ 34,9 milhões de investimentos via Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e recursos próprios. Segundo a Ufes disse ao g1, em nota, a capacidade dos leitos de UTI Adulto passarão de 16 para 30; de UTI Coronariana, de 4 para 10; e serão implementados 10 leitos de UTI Pediátrica. A previsão de conclusão é março de 2028. Até o momento, foram executados 5% do cronograma físico-financeiro. Por fim, também no hospital universitário, foi inaugurado um equipamento de raio-X telecomandado e emitida ordem de serviço para reforma do espaço que abrigará o banco de leite humano da unidade. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo
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FEB
Adolescente de 12 anos é aprovado em curso de matemática da Uerj: 'consegui passar com uns pontinhos sobrando'
Bernardo Manfredini, de 12 anos, foi aprovado no curso de matemática, na UERJ Letícia Lôpo/Divulgação Aos 12 anos e cursando o 8º ano do ensino fundamental, Bernardo Vinício Manfredini, morador de São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos, alcançou um feito notável: a aprovação no curso de matemática da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). O adolescente prestou vestibular como "treineiro", motivado pela curiosidade em entender o processo seletivo e testar seus conhecimentos. Bernardo explica que queria saber como funcionava o processo e que sua mãe, Luzia Manfredini, deu apoio para que ele tivesse essa vivência na prática. O resultado da aprovação foi recebido com surpresa. "As licenciaturas, no geral, são os cursos menos concorridos das universidades. Mas por informações que encontramos na internet, esperávamos um corte bem mais baixo. O corte desse ano veio com uma média de 20 pontos mais alto do que esperávamos. Consegui passar com uns pontinhos sobrando", revela o estudante. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Nos dias de prova, o estudante conta que atraiu olhares, por conta de sua idade. "Alguns que me olharam curiosos, mas eles estavam mais preocupados com suas provas. Eu sou alto para a minha idade, então não chamei muito a atenção. Teve uma pessoa que me perguntou se eu estava de treineiro e quis saber como era participar. Mas foi uma conversa curta", explica. A escolha por matemática foi natural, já que essa é sua matéria favorita e a área em que estuda conteúdos avançados para olimpíadas do conhecimento. Bernardo, inclusive, acumula um histórico invejável nessas disputas: já participou de mais de 100 provas de alto nível e conquistou cerca de 80 medalhas. "Não é em toda competição que ganho medalha, não. Dessas 80 medalhas, a maioria é de matemática, mas tem de outras áreas também, como a nacional de ciências, de química jr, de nanotecnologia, de astronomia e física. Tenho algumas medalhas internacionais em olimpíadas americana e asiáticas. As mais importantes são as da OBM, OMERJ e OBMEP", pontua o jovem. Bernardo Manfredini, estudante de 12 anos aprovado na UERJ, fala de suas medalhas conquistadas em olimpíadas do conhecimento Aprovação e fama A aprovação no vestibular tem rendido fama e elogios ao jovem. "Acharam legal eu passar no vestibular e virar notícia. Fiquei muito feliz. Muito mesmo", comenta Bernardo, que divide a rotina de estudos com atividades típicas de adolescentes. Bernardo no local da prova para fazer o vestibular Acervo pessoal/ Luzia Manfredini "Gosto de uns assuntos que são vistos como não muito comuns, mas também gosto de coisas que meus amigos gostam, como jogar videogame, ver TV, andar de bicicleta, ir à praia, ao shopping, sair para lanchar, jogar tênis de mesa. Tem gente que acha que só estudo, mas tenho bastante tempo livre pra bagunçar". A professora Luzia Manfredini, mãe de Bernardo, conta que não teve medo de Bernardo se frustrar com o resultado das provas, realizadas em duas etapas: exames de qualificação, com 60 questões de múltipla escolha, e o exame discursivo, que inclui redação e provas específicas (no caso de Bernardo, as específicas foram de física e matemática). "Expliquei que ele poderia até entregar a prova em branco e que estaria tudo certo, que ele estava ganhando experiência de vida. Mas pelo tempo que ele ficou, que foram mais de duas horas, vi que estava tentando fazer a prova mesmo. Na segunda etapa, ele estava feliz por ter conseguido desenvolver a prova, em especial a redação, que era o medo de zerar", conta Luzia. Bernardo Manfredini com sua mãe, Luzia, e seu irmão em olimpíada do conhecimento Acervo pessoal/ Luzia Manfredini Altas habilidades e rotina de estudos Quando Bernardo tinha 4 anos de idade, a família descobriu que ele tinha altas habilidades. "Foi um divisor de águas nas nossas vidas, pois passamos a entender que ele e o irmão têm uma maneira de entender o mundo que é um pouco fora da curva, que aprendem algumas coisas com mais rapidez", conta a mãe. Luzia ainda ressalta que tem receio de a rotina de estudos do filho ficar sobrecarregada. "Ele tem uma curiosidade enorme pelo mundo, não só por matemática, e tende a procurar conteúdos. Ele quer participar de muita coisa e ainda precisa entender que não pode tentar dar conta do mundo. A mim, cabe podar algumas coisas, tentar achar espaço para atividade física, lazer que não seja só em eletrônicos." Em um futuro "não tão distante", Bernardo sonha fazer engenharia da computação. "Quero passar no ITA ou IME e me formar. Aos jovens, digo que sigam seus sonhos e nunca deixem de estudar, porque educação te leva para frente. Às vezes, a gente acha algo que parece difícil demais, mas não dá para desistir, e, sim, tentar outras maneiras de entender e aprender", diz o jovem. Nem mesmo o avanço da tecnologia e da inteligência artificial é capaz de tirar o otimismo de Bernardo ao pensar em investir na profissão escolhida. "A inteligência artificial vai ajudar e atrapalhar, dependendo de como evoluir e como for usada. Pode facilitar em cálculos e programas complexos, mas ainda apresenta erro em muitos pontos. Como nas outras áreas, ela vai poder impulsionar ou atrapalhar carreiras", justifica o estudante.
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FEB
O que é América? 'Professor' Bad Bunny dá aula no Super Bowl e ensina lição básica de história e geografia
Bandeira do Brasil aparece entre outras das Américas no show de Bad Bunny no Super Bowl Mike Blake/Reuters No domingo (8), o gesto de Bad Bunny no intervalo do Super Bowl, ao listar países da América Latina e afirmar que “América” não se resume aos Estados Unidos, ecoa um debate que já faz parte do currículo escolar brasileiro. "Deus abençoe a América", disse o artista em inglês, reproduzindo a frase patriótica comumente usada pelos estadunidenses. Em seguida, ele aproveitou para definir América: "Ou seja: Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Peru, Equador, Brasil, Colômbia..." e citou todos os países do continente americano, incluindo Estados Unidos e "minha terra mãe, Porto Rico". BNCC prevê ensino da América como continente Se o show e a "aula" enfureceram o presidente Donald Trump, por outro lado não teve contradição com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC): o documento que determina o que é ensinado nas escolas do Brasil determina que a ideia de América seja ensinada como um continente diverso, formado por múltiplas histórias, identidades e relações de poder e não como sinônimo de um único país. "Nos Estados Unidos, muita gente confunde a noção de América com o próprio país, quando, na verdade, isso é resultado da forma como aprenderam", explica Paulo Rogério Andrade, professor de História e diretor do Cubo Global School. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Para o educador Tarso Loureiro, coordenador de projetos de integração curricular do Colégio Oswald de Andrade , diversidade é o recado mais potente na mensagem de Bad Bunny. "A percepção de que o continente americano é um continente extremamente diverso: é diverso do ponto de vista geográfico, é diverso do ponto de vista histórico, é diverso do ponto de vista étnico", afirma o educador. Na mesma direção, o professor Paulo Rogério Andrade afirma que reconhecer a diversidade do continente impacta diretamente a formação, a identidade e o senso de pertencimento dos estudantes, não apenas em relação à América. "Quando percebemos a riqueza da América, estamos falando de aspectos geográficos, climáticos, mas também culturais e econômicos, inclusive nos eixos de identidade e diversidade presentes na BNCC (Base Nacional Comum Curricular)", afirma Andrade. No ensino de História, a BNCC prevê que os alunos analisem os processos de inclusão e exclusão de populações nas nações que se formaram nas Américas ao longo dos séculos XIX e XX. A proposta é mostrar que a construção desses países não foi homogênea: diferentes grupos sociais e étnicos tiveram papéis distintos nas independências e, depois delas, enfrentaram trajetórias desiguais de pertencimento e reconhecimento. Bad Bunny com a bandeira de Porto Rico Foto/AP Photo/Mark J. Terrill O currículo também propõe que estudantes conheçam os protagonismos de grupos diversos nas lutas de independência no Brasil, na América espanhola e no Haiti. Ao trazer esses sujeitos para o centro da narrativa, a BNCC busca ampliar a noção de quem “fez” a história das Américas e questionar visões simplificadas que costumam privilegiar apenas líderes políticos ou elites. De acordo com Tarso, no Brasil é comum, na língua portuguesa, a utilização do termo “americano” para se referir às pessoas dos Estados Unidos, mas a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e os elementos culturais que formam a sociedade brasileira fazem com que a confusão entre “América” e “Estados Unidos” não seja frequente. Segundo ele, há uma percepção clara que, em geral, deve ser vivida e interpretada de maneira crítica no país. Outro eixo importante é o enfrentamento dos legados da escravidão e do pós-abolição. A BNCC orienta que os alunos discutam como a herança do sistema escravista moldou as sociedades americanas e como os processos de inserção de populações negras após a abolição foram marcados por desigualdades persistentes. Ao relacionar essas marcas do passado com estruturas sociais atuais, o currículo convida a refletir sobre pertencimento, cidadania e exclusão no presente. ➡️No caso dos povos indígenas, o documento inclui o estudo das políticas oficiais que promoveram tutela, silenciamento de saberes e até a destruição de comunidades ao longo do século XIX, além das resistências a essas ofensivas. Essa abordagem ajuda a entender como a ideia de “integração” nas Américas muitas vezes se deu à custa da negação de identidades e territórios, deixando marcas profundas nos processos de formação nacional. “Os termos ‘América’ e ‘África’, assim como as noções de ser ‘americano’ ou ‘africano’, são categorias eurocêntricas, criadas pelos colonizadores, e é importante que a escola reconheça essa origem sem negar a identidade latino-americana”, explica o educador Tarso. A BNCC também propõe analisar, no 8º ano, as relações entre os Estados Unidos e a América Latina no século XIX. O tema permite discutir assimetrias de poder no continente e como projetos políticos e interesses externos influenciaram caminhos de soberania e pertencimento regional. Ao articular esses conteúdos, o currículo escolar oferece ferramentas para que os estudantes compreendam a América como um espaço plural, marcado por encontros, conflitos e disputas de sentido. É nesse terreno que a fala de Bad Bunny ganha ressonância: mais do que um gesto simbólico no palco, ela dialoga com uma visão de continente que a escola brasileira é chamada a construir — diversa, atravessada por desigualdades e em permanente negociação de identidades. Trump diz que show de Bad Bunny no Super Bowl é "afronta à grandeza dos EUA"