Notícias
23
APR
Não basta proibir adolescentes nas redes, dizem pesquisadores
Não basta banir adolescentes nas redes, dizem pesquisadores Reprodução/EPTV Mais de uma dezena de países tem discutido restringir o acesso de menores de idade às redes sociais, entre eles a Alemanha, Reino Unido, Nova Zelândia, França, Espanha e Noruega. No Brasil, começou a valer em março a lei conhecida como ECA Digital, que não proíbe a presença de menores de idade nas redes, mas impõe uma série de restrições ao conteúdo que eles podem acessar. A preocupação aumenta com a percepção de que as telas atraem os menores de idade por períodos prolongados. Pelo menos 50% dos jovens de 15 anos nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) passam no mínimo 30 horas por semana em dispositivos digitais, apontou uma pesquisa da organização no ano passado. Os especialistas se dividem, entretanto, sobre se as medidas planejadas são sempre adequadas para lidar com o conjunto de consequências negativas associadas às redes sociais. Para muitos deles, a simples proibição de menores de idade, ou a restrição de acesso a conteúdos específicos, é insuficiente, correndo o risco de substituir os debates mais amplos sobre regulação das plataformas. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A Austrália foi o primeiro país do mundo a introduzir, em 2025, a proibição do uso de redes sociais por usuários menores de 16 anos. Na Indonésia, existe uma restrição etária desde o fim de março. Eficácia em xeque Mas o psicólogo e neurocientista Christian Montag, que leciona na Universidade de Macau, na China, considera o debate simplificado demais. "Quando novas tecnologias surgem, rapidamente aparece uma espécie de pânico moral. E, sem querer negar que também exista uma preocupação genuína por parte dos políticos, a exigência de proibições às redes sociais é uma forma relativamente fácil de ganhar visibilidade, sem que seja preciso fazer muita coisa de fato." Já Nina Kolleck, pesquisadora em educação da Universidade de Potsdam, na Alemanha, argumenta que é difícil fazer cumprir os limites de idade. "Além do mais, isso não resolve os problemas graves das redes sociais, apenas desloca um pouco a idade de entrada." Esses problemas, segundo ela, incluem, por um lado, os algoritmos personalizados, as notificações push e a rolagem infinita, que incitam os usuários a passar o máximo de tempo possível nas plataformas e têm alto potencial viciante. Por outro lado, as redes expõem os adolescentes a conteúdos que glorificam a violência ou de caráter sexual. ECA Digital: nova lei vai mudar regras para crianças e adolescentes na internet O uso excessivo ou problemático pode acarretar consequências negativas para menores de idade, segundo a OCDE, apesar de os meios digitais oferecerem também oportunidades de se informar, jogar e se conectar com outras pessoas. Entre os riscos, estão a falta de atividade física, os problemas de sono, a redução dos contatos sociais, a depressão ou o bullying cibernético. Montag pondera que pode ser difícil identificar isoladamente o efeito das redes sociais. Muitos outros fatores também desempenham um papel, como aspectos ambientais e genéticos. Até adultos tem dificuldades de largar telefones O que está comprovado é que existe uma relação entre o uso prolongado do smartphone (ou semelhante à dependência) e um pior desempenho escolar, bem como a associação com uma maior insatisfação com o próprio corpo. Além disso, crianças e adolescentes são particularmente vulneráveis a todos estes efeitos negativos, afirma Montag. Eles têm mais dificuldade para se autorregular — e conseguir largar o smartphone — do que os adultos. Pessoa mexendo no celular Reprodução/ RBS TV "A maturação do cérebro humano leva relativamente muito tempo," explica. "Pode levar até os 20 anos de idade, e provavelmente até meados dos 20, para que o córtex pré-frontal esteja completamente desenvolvido." Mas mesmo entre adultos isso não funciona bem. Muitas pessoas com mais de 20 ou 25 anos também enfrentam estas consequências. Por isso, especialistas argumentam que a discussão precisa ser mais abrangente, indo além dos limites etários. Kolleck vê um "debate ilusório, que desvia a atenção de instrumentos realmente eficazes". Avanços limitados na UE Outras medidas já estão previstas, por exemplo, na Lei dos Serviços Digitais (DSA, na sigla em inglês) da União Europeia (UE). Aprovado em 2022, o conjunto de normas obriga principalmente grandes plataformas e mecanismos de busca a oferecer maior proteção aos usuários. TikTok, Instagram e similares devem avaliar e mitigar riscos sistêmicos, além de atuar com transparência em relação aos algoritmos. Segundo o DSA, essas empresas também devem conceder acesso aos seus dados a cientistas independentes, para que seja possível pesquisar como determinados elementos influenciam os usuários. "Durante anos, fizemos pesquisa com as mãos amarradas às costas. E, apesar da introdução do DSA, o acesso ainda é totalmente insuficiente," afirma Montag. A regulação também ainda não foi implementada de forma eficaz ou abrangente em outras áreas. Dificuldades adicionais são causadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tentou repetidamente evitar multas contra gigantes digitais americanas — ameaçando, em contrapartida, impor tarifas comerciais. Modelo de negócios problemático No combate aos efeitos negativos das redes sociais, também podem ser eficientes alterações no design das plataformas que levem em conta a proteção dos usuários mais jovens. Segundo Montag, na versão chinesa do TikTok, o Douyin, o tempo de rolagem para menores de 14 anos é limitado a 40 minutos. Depois disso, não aparecem novos conteúdos. No próprio TikTok, já existem limites de tempo, mas eles podem ser contornados com muito mais facilidade. Para menores de 13 anos, teoricamente um responsável legal precisa inserir um código após 60 minutos. A partir dos 13, os adolescentes devem inserir um código definido por eles próprios para continuar assistindo. Isso funciona, naturalmente, apenas se eles não tiverem se declarado mais velhos — o que, até agora, parece ser comum, já que a criação de contas muitas vezes se baseia apenas em uma simples declaração da data de nascimento. Na verdade, segundo Montag, as plataformas deveriam ser construídas de maneira fundamentalmente diferente, especialmente para menores de idade, mas também para adultos. "O modelo de negócios baseado em dados, que espiona os usuários e maximiza intensamente o tempo online, é em si prejudicial," ele afirma, apontando que é necessário regular de forma rigorosa os provedores de plataformas. No Brasil, o ECA digital vale para redes sociais, jogos eletrônicos, serviços de vídeo e lojas virtuais de produtos e serviços voltados ao público jovem ou que podem ser acessados por ele. A sua aprovação ocorreu após o influenciador Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, denunciar perfis em redes sociais que sexualizavam menores de 18 anos. (Com Agência Brasil)
22
APR
O que já existia no Brasil antes de 1500? Milho, cavalo, café? Faça quiz e 'descubra'
Famosa pelos cenários deslumbrantes, a Costa do Descobrimento fica no sul da Bahia Devanir Gino/ TG Certamente, você já leu ou ouviu esta frase: "O descobrimento do Brasil ocorreu em 22 de abril de 1500, com a chegada da esquadra de Pedro Álvares Cabral". Mas, como se discute há décadas, o uso do verbo "descobrir" não é adequado, já que o território era habitado por indígenas mesmo antes de os navios portugueses atracarem no Monte Pascal, em Porto Seguro (BA). 📖Você sabe o que já ocorria por aqui nesta época? O que fazia parte do "cardápio" dos moradores do nosso território? Que animais eram encontrados? Havia conflitos? Neste 22 de abril, teste seus conhecimentos a partir do quiz abaixo. O que já existia no Brasil antes de 1500?
22
APR
Por que dizemos ‘sapatos laranja’, mas ‘calças vermelhas’? Entenda por que algumas cores variam em número e gênero, e outras não
Por que algumas cores variam em número e gênero, e outras não Adobe Stock Imagine que você está em uma loja de roupas, precisa descrever o que precisa para o atendente, mas trava: o correto é "blusas cinza" ou "blusas cinzas"? Se você já ficou na dúvida, saiba que não está sozinho. De acordo com professoras ouvidas pelo g1, a concordância das cores na língua portuguesa é um dos temas que mais gera insegurança nos alunos. A confusão acontece porque, enquanto algumas cores mudam a depender do gênero ou do número do objeto, outras permanecem iguais. 🔴 Vermelho, vermelha, vermelhos, vermelhas (sapatos vermelhos, camisa vermelha) 🟡 Amarelo, amarela, amarelos, amarelas (shorts amarelos, flor amarela) 🔵 azul, azuis (agasalho azul, calças azuis) 🟢 verde, verdes (salada verde, olhos verdes) 🟠 laranja (lenço laranja, peças laranja) Veja os vídeos que estão em alta no g1 As especialistas que explicam a lógica por trás das cores que "mudam" e das que ficam sempre iguais. Confira abaixo: O segredo está na origem da palavra A regra de ouro é simples: a gramática diferencia as cores que nasceram como adjetivos (aquilo que caracteriza ou qualifica algo) daquelas que são "emprestadas" de substantivos (que nomeiam seres, objetos, lugares etc.). Cores/adjetivos: Palavras como vermelho, azul, branco e amarelo são adjetivos por natureza. Por isso, elas devem concordar com o substantivo em gênero (masculino/feminino) e número (singular/plural). Exemplo: "calças vermelhas" ou "cadernos brancos". Cores/substantivos: Cores como laranja, rosa, vinho, cinza e café têm origem em nomes de frutas, flores ou objetos. Nesses casos, existe uma expressão "invisível" que fica implícita: "cor de...". Quando você diz "sapatos laranja", na verdade está dizendo "sapatos (da cor de) laranja". Por ser um substantivo exercendo papel de adjetivo, a palavra tende a ficar invariável. E quando a cor é composta? Se uma cor já é difícil, imagine duas! No caso de cores compostas por dois adjetivos, como "azul-claro" ou "verde-escuro", apenas o segundo elemento varia: "sapatos azul-claros" ou "blusas verde-claras". Por outro lado, se um dos elementos da cor composta for um substantivo — como em "azul-turquesa" ou "amarelo-ouro" —, a expressão inteira fica invariável: "camisas azul-turquesa". Caneta e papel ou teclados? Estudo revela o que alunos preferem "Sapatos rosas" é erro? A língua é viva e está em constante transformação. Um exemplo clássico é a cor rosa. Embora tenha origem em uma flor (substantivo), o uso no dia a dia é tão frequente que muitos gramáticos já aceitam a variação "blusas rosas". “É comum tratar essas palavras como adjetivos e fazer a concordância. Ou seja, é um caso em que a forma pode variar dependendo da interpretação e do contexto”, explica Cynthia Pichini, professora do curso de Letras e Tradutora - Intérprete da Universidade São Judas. O mesmo fenômeno começa a acontecer com o laranja. Na oralidade, já é comum ouvirmos "sapatos laranjas" ou "azuis claros". “A língua está em constante movimento. Quando uma forma começa a aparecer com frequência entre os falantes, ela pode indicar uma tendência de mudança, ainda que não seja reconhecida como padrão pela gramática”, Kelly Pitança, professora de Língua Portuguesa do Colégio Matriz Educação, complementa. Dica para não errar A professora Kelly Pitança sugere que reforçar a conexão das cores com sua classe gramatical, utilizando exemplos claros e referenciando os elementos das quais se originam (como frutas), é uma ótima maneira de não errar. Trabalhar com exemplos do dia a dia ajuda bastante, porque é possível perceber de forma prática a diferença no uso, sem precisar decorar a regra de forma isolada. Cynthia Pichini, da Universidade São Judas, reforça a dica. Ela lembra que, devido à influência de outras línguas como o inglês (onde adjetivos não variam), a tendência atual é de maior aceitação das formas invariáveis em contextos reais, o que ajuda a reduzir a confusão. Ainda assim, avaliações escolares, situações formais e vestibulares exigem um respeito mais rígido à regra, especialmente em questões de concordância nominal ou em produções de texto. Por isso, é importante saber identificar e diferenciar os aspectos da regra.