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MAY
Não escrever mais à mão gerará crise de inteligência no ser humano, diz especialista
A crise da escrita à mão “Vai haver uma crise de inteligência”, afirma Adriana Fóz, especialista em neuropsicologia e psicopedagogia. “A gente está perdendo espaço de ser humano”, diz Edna Lúcia Cunha Lima, pesquisadora de tipografia e design. O alerta vem do abandono de algo essencial: a escrita à mão. Trata-se de uma habilidade milenar, uma das mais importantes da evolução humana, que deu forma à linguagem em diferentes meios e segue sendo um exercício cognitivo complexo e relevante. “Ela desacelera o cérebro, em prol de ter mais profundidade, de treinar vários quesitos que você não consegue treinar no mundo digital”, explica Adriana. No ambiente digital, prevalecem a pressa e o raciocínio rápido, o que muitas vezes limita a reflexão. “A gente está criando dois tipos de seres humanos: os que vão continuar refletindo, lendo e escrevendo, e aqueles que não”, avalia Adriana. Países como Suécia, Finlândia e Estados Unidos chegaram a testar a redução da escrita à mão no currículo escolar, mas recuaram. Em 2024, um estudo norueguês concluiu que a escrita manual estimula a atividade cerebral em regiões essenciais para o aprendizado. “Eu preciso muito desse visual para entender a matéria. Então, se ela está bonita e organizada, eu consigo entender melhor. Eu acho que, quando a gente digita, a gente faz muito rápido e acaba perdendo”, afirma Isadora Gadagnotto Moraes, estudante de arqueologia e literatura que ainda escreve à mão. Não se trata, porém, de negar avanços. Esta reportagem, por exemplo, foi escrita primeiro no laptop antes de ser passada a limpo em uma folha de caderno. Para especialistas, a questão é fazer com que a escrita à mão coexista, sem ser completamente esquecida. “O nosso grande problema é como fazer isso numa época de IA. Porque ela está expandindo as formas de personalizar seus documentos e sua presença digital sem precisar necessariamente de uma assinatura, que era uma coisa tão importante antes. Por outro lado, a escrita digital deu espaço para uma volta à manualidade”, explica Edna. A caligrafia também aparece como gesto artístico. O trabalho de Lisa Seiler é justamente ensinar essa prática, com mensagens coloridas traçadas em folhas em branco. “Tenho esperança de que justamente esse aspecto artesanal passe a ganhar um pouco mais de importância por causa da IA, já que muitas coisas podem ser substituídas. Mas peças únicas, ou seja, algo feito à mão, isso é algo que a IA não consegue. Seja um móvel artesanal, um quadro pintado ou um cartão com uma caligrafia bem bonita”, afirma Lisa Seiler, designer gráfica. Quando foi a última vez que você escreveu à mão?
05
MAY
‘Legalmente Loira’ da Nasa é brasileira, pós-doutoranda em astrofísica e pesquisadora de exoplanetas
‘Legalmente Loira’ da NASA: brasileira é pós-doutoranda em astrofísica 💅Blush bem marcado, jaqueta e sapatos rosa, cabelo impecavelmente escovado e sombra de glitter (mesmo de manhã). Seria a volta de Elle Woods, de “Legalmente Loira”? Se bem que nossa diva em questão é basicamente um clone da cantora Sabrina Carpenter. Please, please, please… De que estrela estamos falando? Estrela é uma boa palavra para definir Clary do Ó, brasileira que, aos 28 anos, é pós-doutoranda em Astrofísica na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, e trabalha em um laboratório da Nasa (Agência Espacial Americana). “Sempre fui aquela criança perua, sabe? Minha mãe me inspirou a gostar de moda, me mostrando filmes tipo ‘Diabo Veste Prada’. Eu ia à loja da Swarovski [que vende joias e produtos em cristal] no shopping, olhava para aquele teto todo brilhante, e pensava: meu Deus, são estrelinhas! Acho que o meu amor pelo espaço tem a ver com o meu amor por brilho”, conta, rindo. Ela pesquisa exoplanetas — aqueles que ficam fora do nosso Sistema Solar, orbitando uma estrela que não é o Sol. Talvez por esse ser um ramo relativamente recente da ciência (a primeira detecção de um planeta do tipo ocorreu apenas em 1995), Clary sequer sabia da existência da carreira. Durante o ensino médio, cursado em um colégio privado de São Paulo, a opção da jovem era seguir o caminho do pai e virar engenheira. Mas, no último ano da escola, em um intercâmbio na Alemanha, ouviu falar de uma colega que fazia astrofísica no MIT. Pronto, era o que nossa diva precisava para refazer todas as redações de “application” (“vestibular” das universidades americanas) e, nos trechos em que falava do objetivo de cursar “engenharia”, trocar por “física”. “Escrevi muito mais empolgada, com muito mais amor. Acabei passando em outras universidades americanas também, mas só fui visitar a Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara (EUA), porque eu meio que sabia que era o lugar certo para mim. E realmente foi”, conta. 🪐Astro na Nasa Clary trabalha em laboratório da Nasa Arquivo pessoal Em 2019, após construir uma rede de contatos com seus professores e estagiar na própria instituição de ensino, ela foi aprovada em um estágio no Jet Propulsion Laboratory (JPL), o centro de inovação da Nasa na Califórnia. Lá, trabalhou com um espectrógrafo para detectar planetas de forma indireta, a partir do "balanço" quase imperceptível que uma estrela faz ao ser atraída pela gravidade de um planeta ao seu redor. Apaixonada pela experiência, Clary perguntou ao seu mentor como poderia voltar definitivamente a trabalhar na Nasa, depois de se formar. A resposta foi direta: "Faça um doutorado". Dito e feito. Entre 2020 e 2024, ela mergulhou na pós-graduação, especializando-se em "imagem direta" — técnica para fotografar planetas distantes. Brasileira é doutora em astrofísica Arquivo pessoal 👚De volta para a galáxia rosa Clary diz que ama roupas de cores vivas Arquivo pessoal Foi nesse período, entre cálculos complexos e a escrita de uma tese embalada pela discografia de Ariana Grande (a quem dedicou o trabalho final), que Clary decidiu resgatar sua essência. No início da faculdade, ela havia cortado o cabelo curto e adotado cores neutras no figurino para "ser levada a sério". “A gente tem um estereótipo de como deve ser um cientista. Definitivamente, não é uma Elle Woods, loira, super-rosa e cheia de brilhos”, diz. Mas, com o passar dos anos, no doutorado, percebeu que sua competência não dependia da paleta de cores do guarda-roupa. A transição de volta para o mundo pink foi gradual, mas com uma cena simbólica: uma reunião com a orientadora, na qual Clary apareceu vestida de rosa choque dos pés à cabeça, do suéter ao tênis. O elogio da mentora foi o selo de segurança que faltava para a astrofísica recuperar seu estilo. Hoje, como pós-doutoranda na Caltech, ela atua no JPL da Nasa e garante que é muito mais produtiva na missão de desvendar exoplanetas quando cumpri um ritual milimetricamente projetado de manhã: maquiagem e roupas alegres. “Voltar ao meu blush foi uma mudança muito positiva na minha vida. Eu não gosto de coisas apagadas. A vida, para mim, precisa ser colorida.”
05
MAY
Tire dúvidas sobre como renegociar dívidas do Fies com descontos de até 99% no Desenrola 2.0
Desenrola 2.0: governo lança nesta segunda novo pacote para renegociação de dívidas Mais de 1 milhão de estudantes beneficiados pelo Fies que estão inadimplentes podem renegociar as dívidas do programa e obter descontos nos pagamentos. A oportunidade faz parte do Desenrola 2.0, uma iniciativa do governo federal que promete um "alívio bilionário" ao focar em dívidas atrasadas do Fies. O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) é um programa do governo federal de financiamento para estudantes em instituições de ensino superior privadas. O aluno beneficiado recebe um tipo de "empréstimo" que deve ser quitado após a conclusão do curso. Caso não quite o financiamento, dentro do prazo e com as condições acordadas, o participante pode ficar inadimplente. A iniciativa foi firmada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na segunda-feira (4) por meio de uma medida provisória. Por se tratar de uma MP, as novas regras passam a valer imediatamente após a publicação. Página inicial do site do Fies - 2° semestre de 2023. Emily Santos/g1 Abaixo, veja como funciona a renegociação para a modalidade Fies: O que é o Desenrola Fies 2.0? A modalidade faz parte do Novo Desenrola Brasil e foca em estudantes com financiamento pelo Fies que estão com pagamentos atrasados. A iniciativa promove descontos e parcelamentos especiais para a quitação do empréstimo estudantil. Quem pode participar do Desenrola Fies 2.0? De acordo com o Ministério da Educação, o programa é voltado para estudantes com dívidas do Fies vencidas e não pagas até a publicação da MP. O foco principal são os débitos de "difícil recuperação", que estão em atraso há mais de um ano. De quanto são os descontos? Os percentuais de redução dependem do perfil do estudante e do tempo de atraso da dívida: Estudantes no CadÚnico: Para dívidas vencidas há mais de 360 dias, o desconto é de até 99% sobre o valor total (incluindo o principal, juros e multas). Estudantes fora do CadÚnico: Para atrasos acima de 360 dias, o desconto chega a 77% sobre o valor total devido. Atrasos acima de 90 dias: Caso o estudante opte pelo pagamento à vista, o desconto é de até 12% sobre o valor principal, com isenção total de juros e multas. O valor renegociado pode ser parcelado? Débitos vencidos há mais de 90 dias podem ser pagos à vista ou parcelados. Cada modalidade tem suas vantagens: Pagamento à vista: Desconto total dos encargos e redução de até 12% do valor principal. Parcelamento: Pagamento em até 150 vezes, com redução de 100% dos juros e multas. 🤔 Pagamento à vista vs. parcelado: É importante destacar que o desconto de até 12% sobre o valor principal da dívida é exclusivo para quem optar pelo pagamento à vista na renegociação. No caso do parcelamento, o desconto incide apenas sobre os juros e multas. Quando começa a renegociação? A renegociação estará disponível por 90 dias. Como fazer a renegociação? O pedido de renegociação da dívida deve ser feito diretamente com o banco responsável pelo contrato, nos canais indicados por ele.